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Após levar cusparada, Bolsonaro vai entrar com processo contra Jean Wyllys no Conselho de Ética da Câmara

Jean Wyllys admitiu cuspir no colega, afirma que não se arrepende e cuspiria de novo.

  • Por AM POST

  • 18/04/2016 às 15:16

  • Leitura em três minutos

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) disse que vai entrar com uma representação no Conselho de Ética da Câmara contra o colega Jean Wyllys (PSOL-RJ), que admitiu ter cuspido em seu rosto durante a votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), na noite deste domingo, em Brasília. Em entrevista ao EXTRA, Bolsonaro negou ter xingado Wyllys antes de levar a cusparada e ainda defendeu ter citado o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra — militar apontado como responsável por perseguições e torturas nos anos de chumbo — em seu discurso para defender o afastamento da presidente.

“Eu discursei e o deputado Jean Wyllys não deve ter gostado do que falei. Depois que ele deu o seu voto (contra o impeachment), saiu exaltado porque a votação já estava decidida. Foi nesse momento que me deu uma cusparada no rosto, que atingiu também deputados que estavam atrás de mim. Eu não o segurei, as câmeras vão mostrar isso. Também não o xinguei, vou chutar cachorro morto?”, declara Bolsonaro.

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Nas redes sociais, Wyllys disse que Bolsonaro tentou segurar o seu braço e o ofendeu com insultos homofóbicos. Em entrevista coletiva no Salão Verde da Câmara, o deputado do PSOL declarou que cuspiria “quantas vezes” fosse necessário.

“Nós estamos numa votação. Eu tenho direito político de fazer o voto que eu quero. Durante toda a votação eu não intervim no voto de ninguém. Não fui lá insultar ninguém. E, na hora que fui votar, esse canalha veio me insultar na saída e tentar agarrar meu braço, ele ou alguém que estivesse perto dele. Quando vi o insulto, devolvi cuspindo na cara dele, que é o que ele merece”, disse ele, na noite deste domingo.

Jean Wyllys enfatizou ainda que não tem medo de enfrentar um processo disciplinar na Câmara.

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Sobre o discurso no qual citou Brilhante Ustra, Bolsonaro disse que não o considera um torturador. Nos anos de chumbo, o militar homenageado pelo deputado chefiou o Doi-Codi, órgão de repressão do 2º Exército, em São Paulo, e foi apontado por dezenas de perseguidos políticos e familiares de vítimas do regime militar como responsável por perseguições, torturas e mortes de opositores do Golpe de 64.

“Outros deputados citaram o Che Guevara e o Marighella. Eu estou do outro lado da moeda. O Ustra combateu a guerrilha no Brasil, grupos como o VAR-Palmares (no qual a presidente Dilma militou), que mataram muita gente. Estou sofrendo críticas por ter falado a verdade. Ficou provado que a Dilma e o PT são corruptos e assaltaram a Petrobras. Não vou dizer que o Temer é melhor, mas é preciso mudar”, justifica.

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Fonte: Extra

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