Assista: Lula defende ditadura chinesa e diz que regime autoritário foi ‘um jeito de resolver problemas’
Lula foi questionado sobre as violações de direitos humanos na China, país que tem alianças com o Brasil.

Foto: Reprodução da TV
Redação AM POST
O presidente da República do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva defendeu a ditadura chinesa e disse que o regime autoritário foi ‘um jeito de resolver problemas’. A frase foi dita durante entrevista ao canal português RTP1 no sábado, 22, quando foi questionado sobre as violações de direitos humanos na China, um dos parceiros comerciais do País.
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O repórter durante a pergunta citou alguns casos: “A China tem um currículo enorme (de violações de direitos humanos), de Xinjiang a Hong Kong, passando pelos presos políticos“.
Lula respondeu ao jornalista com a seguinte frase: “Todos os países do mundo têm problemas. Nós precisamos aprender a respeitar a autodeterminação dos povos. A China encontrou um jeito de resolver os seus problemas, e um jeito que permitiu que a China logo logo se transforme na primeira economia do mundo. Eu acabei de vir da China. Você pode não concordar com o regime chinês, como eles podem não concordar com o do Brasil. Tem muita gente que não concorda com as coisas da política que acontece no Brasil. Mas é o nosso jeito de fazer política“, disse.
Regime autoritário
Em Xinjiang, o Partido Comunista tem campos de concentração onde são mantidos muçulmanos, proibidos de exercerem a própria fé. Detentos são submetidos a uma doutrinação intensiva e são submetidos a tortura mental e física. Em 2021, o Departamento de Estado americano falou que a China estaria cometendo genocídio e crimes contra a humanidade contra os uigures.
Em Hong Kong, a China impôs uma lei de segurança nacional que impede qualquer manifestação a favor da democracia. Em 2020, o estudante Joshua Wong, pegou 13 anos de prisão por participar de reuniões não autorizadas pelo regime, para organizar protestos.
Assista
Português: Lula, e as violações de direitos humanos da ditadura chinesa? Xinjiang? Hong Kong?
Lula: todos os países têm problemas, a China cresceu bastantepic.twitter.com/qqQbPItWBt
— Faustão de Moraes (@libdep) April 23, 2023
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Análise
Christopher Mendonça, professor de relações internacionais do Ibmec, de Belo Horizonte fez uma analise das palavras do presidente e afirma que quando Lula fala em autodeterminação dos povos, ele não pensa nos estudantes que foram massacrados em Hong Kong, nem nos muçulmanos torturados nos campos de Xinjiang.
“Quando Lula fala em povo, ele está pensando no Partido Comunista, que segundo Lula encontrou o “seu jeito de resolver os problemas“. Eventuais violações, as quais ele não reconhece, seriam perdoáveis porque fizeram com que a economia da China crescesse. Esse é o argumento do presidente brasileiro.
Ele ressalta que para um candidato que prometia “defender a democracia e os direitos humanos”, as declarações dele vão no sentido oposto. “Lula tem relativizado regimes autoritários. A China tem um histórico de violação de direitos humanos que não condiz com a defesa da democracia apresentada pelo PT em sua última campanha eleitoral“, diz Christopher.
“Para além desta fala, há evidências que mostram uma aproximação do Brasil com outros regimes autocráticos, como a visita de Celso Amorim ao presidente venezuelano Nicolas Maduro e a negativa do Brasil em condenar publicamente o regime da Nicarágua. Omitir-se frente aos abusos de determinados regimes é uma posição grave por si mesma, mas vinda de Lula é ainda mais preocupante”, finaliza o especialista
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