Assista: Petista, José Ricardo fala sobre uso da linguagem neutra: “não está totalmente errada”
O político disse que não precisa de um projeto de lei para dizer o que se tem que falar ou não.
Redação AM POST*
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O ex-deputado federal José Ricardo (PT-AM) disse que não está totalmente errada a utilização da linguagem neutra, variação linguística usada por grupos de pessoas agênero (que não se identificam com nenhum gênero) e não binárias (que não se identificam só com o gênero masculino nem só com o feminino). Para ele as duas formas de linguagem são maneiras de se comunicar entendíveis.
“Eu sempre já me acostumei a falar todos e todas e agora está sendo agregado o ‘todes’. Nosso português ele é muito rico, sempre muda alguma coisa, acrescenta, diminui e a forma das pessoas falarem é muito livre no nosso país. Então a credito que as pessoas que falam somente o todos, estão entendendo que est]ao falando para todas as pessoas, como a pessoas que agregaram o ‘todes’ estão também tentando se comunicar e dizer que querem está dialogando com todo mundo. Não me parece que nenhum lado esteja totalmente errado, propriamente, porque é o nosso português”, pontuou.
O petista também mencionou o Projeto de Lei 198/23 que veda o uso, em qualquer contexto ou disciplina, de linguagem que empregue o gênero neutro na educação básica. Em análise na Câmara dos Deputados, o projeto altera a Lei de Diretrizes e Bases na Educação.
“Eu não tenho conhecimento do projeto que está sendo tratado, falando sobre isso, mas eu acho que isso não é um problema maior que nós temos. Eu acho que temos que respeitar as pessoas e se eu quero falar para todas as pessoas eu posso falar até mais. Não dificuldades quanto a isso, não precisaria ter uma lei, propriamente, para dizer o que eu tenho que falar ou não”, disse.
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Proibição nos estados
A proibição do uso da linguagem neutra foi tema de ao menos 58 projetos de lei propostos desde 2019 em 20 estados no Brasil. Entre os autores estão expoentes do bolsonarismo como os deputados estaduais do Rio, Anderson Moraes (PL) e Rodrigo Amorim (PTB).
Dos 58 projetos apresentados nos legislativos estaduais, apenas um, do Sargento Eyder Brasil (PL), foi aprovado, em outubro de 2021, em Rondônia. No entanto, acabou derrubado no mês seguinte pelo ministro do STF Edson Fachin, que suspendeu a lei acolhendo ação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino, que alegava que a legislação apresentava preconceitos e intolerâncias incompatíveis com a ordem democrática e os valores humanos.
Governo petista
Desde janeiro deste ano, o governo Lula se tornou alvo de críticas por usar linguagem neutra durante as posses de ministros que ocorreram na primeira semana do ano, cerimonialistas utilizaram a variação nas cerimônias dos ministérios da Fazenda; de Direitos Humanos e da Cidadania; da Cultura; da Mulher, e das secretarias Geral da Presidência e de Relações Institucionais.
Durante a posse de Fernando Haddad na Fazenda, a cerimonialista saudou o público no início e no fim do evento com um agradecimento pela presença de “todos, todas e todes”. O “todes” foi repetido ainda pelos cerimonialistas das posses de Márcio Macêdo na Secretaria-Geral de Governo; de Margareth Menezes na Cultura; e de Silvio Almeida, à frente da pasta de Direitos Humanos e da Cidadania.
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