Bolsonaro vai depor à PF sobre financiamento da estadia de Eduardo nos EUA
Inquérito apura se deputado buscou sanções contra autoridades brasileiras.

(Foto: Reprodução YouTube/Brazil Talking News)
Notícias de política – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) presta depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (5/6), às 15h, na superintendência da corporação em Brasília. Ele é investigado no inquérito que apura se financiou as atividades do filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nos Estados Unidos, onde o parlamentar atua na tentativa de impor sanções contra autoridades brasileiras.
A investigação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após denúncia de que Eduardo estaria buscando apoio do governo dos EUA — especialmente do entorno do ex-presidente Donald Trump — para pressionar instituições brasileiras, incluindo o próprio STF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a PF.
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No despacho, Moraes destacou que Jair Bolsonaro deve responder sobre os fatos “dada a circunstância de ser diretamente beneficiado pela conduta descrita e já haver declarado ser o responsável financeiro pela manutenção do sr. Eduardo Bolsonaro em território americano”.
O que está em jogo
As articulações de Eduardo nos Estados Unidos incluem o uso da Lei Global Magnitsky, que permite ao governo norte-americano impor sanções a indivíduos acusados de violações graves de direitos humanos ou corrupção. As punições podem incluir bloqueio de bens, congelamento de contas e proibição de entrada nos EUA, sem necessidade de processo judicial.
A atuação do deputado ganhou repercussão no Congresso americano. No último dia 21 de maio, o deputado republicano Cory Mills fez um discurso alegando “censura generalizada” no Brasil e defendeu que sanções sejam aplicadas contra autoridades brasileiras. Na ocasião, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que a situação “está sendo analisada” e que há possibilidade de adoção das medidas.
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Depoimentos no inquérito
Além de Jair Bolsonaro, o próprio Eduardo terá de prestar esclarecimentos. No entanto, por estar nos Estados Unidos desde março — quando se licenciou do mandato na Câmara dos Deputados —, o filho do ex-presidente responderá por escrito.
Outro que já prestou depoimento foi o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), autor da representação que levou a Procuradoria-Geral da República a solicitar a abertura do inquérito. Lindbergh também afirmou que pedirá o bloqueio dos bens de Jair Bolsonaro, diante da gravidade das ações atribuídas a Eduardo e ao ex-presidente.
Para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, as declarações públicas de Eduardo confirmam a intenção de pressionar o sistema judiciário brasileiro, especialmente na tentativa de interferir nas decisões de Alexandre de Moraes. “Há um manifesto em tom intimidatório contra agentes públicos de investigação, de acusação e contra julgadores”, destacou Gonet.
Mais pressão judicial
O depoimento de Bolsonaro à PF ocorre a poucos dias de outro compromisso na Justiça. Na próxima segunda-feira (9/6), ele será interrogado no âmbito da ação penal que apura tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O ex-presidente é um dos oito réus do chamado “núcleo crucial da trama golpista”. As audiências estão previstas para durar até sexta-feira (13/6).
Além de Bolsonaro, outros nomes da direita brasileira também enfrentam investigações. A deputada Carla Zambelli (PL-SP) teve a prisão preventiva decretada por Moraes após ser condenada a 10 anos e 8 meses por contratar o hacker Walter Delgatti na invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023.
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