Câmara tenta votar de surpresa PEC da Anistia a partidos que descumpriram cotas, mas recua novamente
Deputados enfatizaram que não houve tempo hábil para discussão do relatório da proposta que altera a Constituição.
- Foto: Agencia Câmara
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), anunciou nesta quarta-feira (3) o adiamento da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 9/2023. A proposta, que visa anistiar os partidos políticos que não cumpriram as cotas mínimas de gênero e raça nas eleições gerais de 2022, iria ser votada de supetão mas a Casa acabou recuando após a proposta ser alvo de intensos debates e protestos.
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A PEC 9/2023, por se tratar de uma alteração constitucional, passou por discussão em uma comissão especial, que teve o prazo de 40 sessões plenárias para deliberar sobre o texto. Apesar desse período, o relatório final da matéria foi apresentado apenas hoje, o que gerou insatisfação entre alguns parlamentares.
O adiamento decidido por Lira ocorreu em um cenário de ampla adesão dos partidos políticos à proposta, com exceção do PSol e do Novo, que se manifestaram contrários à medida. Vale destacar que, por ser uma PEC, a aprovação do texto exige votos favoráveis de ⅗ dos deputados, em dois turnos de votação.
A legislação eleitoral vigente no Brasil determina que cada partido deve lançar, no mínimo, 30% de candidaturas de um gênero e, no máximo, 70% de outro. Esta regra visa a aumentar a participação de mulheres na política brasileira. No entanto, a PEC 9/2023, atualmente em discussão, tem como objetivo principal a proibição de sanções aos partidos que descumpriram essas cotas nas eleições de 2022.
Arthur Lira, ao anunciar o adiamento, destacou a intenção do presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), de também pautar a proposta. “Esta presidência não tem nenhuma vontade pessoal em votar essa PEC. Nenhuma. Relutei durante três semanas. Todos os partidos e presidentes de partidos e lideranças partidárias, com exceção do Novo e do PSol, se posicionaram a favor da PEC. Portanto, os líderes desses partidos venham a plenário explicitar o posicionamento de cada partido, inclusive do presidente do Senado, que se comprometeu em pautar essa PEC, só por isso ela está sendo votada e pautada hoje, para apreciação naquela Casa de leis também”, declarou Lira.
A decisão de adiar a votação para agosto foi vista como uma estratégia para ganhar tempo e construir um consenso mais amplo entre os parlamentares. A proposta, que tem potencial para impactar significativamente o cenário político brasileiro, continua a gerar debates acalorados tanto dentro quanto fora do Congresso.
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Os partidos contrários à PEC, PSol e Novo, argumentam que a anistia representa um retrocesso nas conquistas relacionadas à igualdade de gênero e raça na política. Para eles, a medida enfraquece a legislação vigente e desestimula os partidos a se comprometerem com a inclusão e a diversidade em suas candidaturas.
Por outro lado, os defensores da proposta afirmam que a anistia é necessária para corrigir distorções e injustiças no sistema eleitoral. Eles argumentam que muitos partidos enfrentaram dificuldades para cumprir as cotas devido a fatores externos e que a punição severa poderia prejudicar ainda mais o processo democrático.
Com o adiamento da votação, espera-se que o tema continue a ser amplamente discutido e que novas propostas e emendas sejam apresentadas. O mês de agosto promete ser decisivo para o futuro da PEC 9/2023 e para a definição das regras eleitorais que nortearão as próximas eleições no Brasil.
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