Celso Amorim compara agressão a mulheres no Irã com pena de morte nos EUA e leva invertidas de ex-embaixador norte-americano
O assessor de Lula para Assuntos Internacionais foi contestado pelo ex-embaixador norte-americano Dan Baer.
- Foto: Reprodução/Carnegie Endowment
Em um evento realizado em Washington na última quinta-feira, 18, o assessor especial do presidente Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim, causou polêmica ao relativizar as ditaduras do Irã e da Rússia com críticas ao sistema de pena de morte dos Estados Unidos. A resposta veio de Dan Baer, ex-embaixador dos Estados Unidos na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que rechaçou as comparações feitas por Amorim.
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Durante o evento, Amorim expressou sua desaprovação ao tratamento dado às mulheres no Irã, mas utilizou o exemplo da pena de morte nos Estados Unidos para criar uma espécie de equivalência moral. “Eu não concordo com a forma como as mulheres são tratadas no Irã, por exemplo, mas não concordo com a pena de morte, que ainda existe nos Estados Unidos”, afirmou Amorim, numa tentativa de equiparar as duas questões.
A resposta de Baer foi incisiva. Ele reconheceu a legitimidade das críticas à pena de morte, mas condenou veementemente a comparação feita por Amorim. “Quando eu servi como embaixador dos EUA, a parte menos favorita do meu trabalho era ter que defender isso. E acho que os EUA deveriam acabar com a prática da pena capital, porque nos torna um ponto fora da curva entre as democracias avançadas. Então vou admitir esse ponto. Eu também direi que traçar uma equivalência entre a pena de morte nos EUA e o regime iraniano não é moralmente respeitável. Eu acho que é uma equivalência ruim. E eu acho que mina a credibilidade moral daqueles que fazem esse tipo de equivalência”, rebateu Baer.
Amorim também saiu em defesa de Vladimir Putin contra as sanções impostas pelo Ocidente ao regime do ditador que ordenou a invasão da Ucrânia, causando milhares de mortes.
“Você não vai destruir a Rússia. ‘Ah, meu objetivo não é destruir’. Mas o que você está fazendo é nessa direção. Eu não sei exatamente qual é a solução. Eu não quero pregar nenhuma solução. Porque se você entrar na história é muito complicado.”
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Dan Baer rebateu de imediato: “Aqueles que não obedecem à lei gostam de falar sobre história.”
A moralidade e a ética por trás das punições impostas pelo Irã e pelos Estados Unidos são amplamente diferentes. No Irã, a polícia moral do país aplica punições severas às mulheres que violam o estrito código de vestimenta. Um exemplo trágico é o caso de Mahsa Amni, de 22 anos, que foi morta sob custódia do regime em 16 de setembro de 2022, três dias após ter sido presa por usar calças apertadas e não cobrir completamente os cabelos com o hijab (véu islâmico). A repressão às mulheres no Irã tem sido um ponto de crítica internacional constante, destacando a opressão sistêmica do regime.
Nos Estados Unidos, a pena de morte é permitida em 27 estados e geralmente é aplicada em casos de condenação por assassinato, seguindo o devido processo legal. O método mais comum é a injeção letal, embora outros métodos, como o enforcamento, ainda sejam legalmente permitidos. A prática da pena de morte nos Estados Unidos tem sido alvo de críticas internas e externas, com muitos argumentando que ela é uma violação dos direitos humanos. No entanto, a comparação com as punições arbitrárias e opressivas de regimes autoritários, como o Irã, é vista por muitos como um argumento falacioso e moralmente insustentável.
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