Chefe de gabinete de Hugo Motta é investigada por ‘rachadinha’ com ‘poder ilimitado’ sobre salários
A chefe de gabinete, Ivanadja Velloso Meira Lima, já é ré em uma ação de improbidade administrativa movida pelo MPF.
- Reprodução
Notícias de Política – Uma investigação jornalística revelou que a chefe de gabinete do atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), possui procurações que lhe conferem “poderes amplos e ilimitados” para movimentar as contas e sacar os salários de pelo menos dez funcionários e ex-funcionários do parlamentar. A chefe de gabinete, Ivanadja Velloso Meira Lima, já é ré em uma ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal (MPF) por um suposto esquema de “rachadinha”.
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Os documentos, registrados em cartórios da Paraíba desde 2011, ano em que Hugo Motta iniciou seu mandato como deputado federal, autorizam expressamente Ivanadja a “receber salários”. Oito das dez procurações dão a ela esse poder. No total, os salários dessas pessoas somam mais de R$ 4 milhões apenas no período em que estiveram lotadas no gabinete do deputado.
As procurações são consideradas o elo com o esquema de “rachadinha” pelo qual Ivanadja Velloso já responde na Justiça Federal. Segundo o MPF, no gabinete do deputado Wilson Santiago (Republicanos-PB), ela teria movimentado a conta de um ex-funcionário que jamais compareceu a Brasília para trabalhar e que nem sabia o valor do próprio salário ou o número da conta bancária. A procuração, neste caso, foi usada como prova pelo MPF na denúncia. Ivanadja Velloso trabalhou com Santiago até 31 de janeiro de 2011, passando a integrar a equipe de Hugo Motta no dia seguinte, o que sugere uma continuidade do suposto esquema.
Procurações e casos de funcionários
A investigação identificou que, entre as dez pessoas que assinaram procurações para Ivanadja, duas ainda trabalham no gabinete de Hugo Motta.
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- Ary Gustavo Xavier Guedes Soares, motorista e caseiro na fazenda de Hugo Motta, na Paraíba, assinou duas procurações que lhe permitiam sacar salários e movimentar valores. Ele está no gabinete desde fevereiro de 2011 e já recebeu mais de R$ 1,1 milhão da Câmara.
- Jane Costa Gorgônio, de 69 anos, que ainda atua no gabinete, assinou uma procuração em março de 2012 e já recebeu R$ 336,7 mil.
- Maria Socorro de Oliveira assinou procuração em 2013, seis dias após ser nomeada. Ela acumulou R$ 82,1 mil em salários enquanto também estava lotada no governo da Paraíba.
- Adilani da Silva Justino Soares, que trabalhou no gabinete em 2011 e 2012, assinou a procuração um mês antes de ser nomeada. Ela admitiu à reportagem que trabalhava em Patos (PB) dando suporte na área da saúde.
- Gabriela de Oliveira Figueiredo Leitão Venâncio, uma advogada, recebeu mais de R$ 879 mil enquanto exercia a função de secretária parlamentar e, ao mesmo tempo, era proprietária de uma lanchonete e cursava direito.
A reportagem também revelou que outros funcionários que assinaram procurações estão envolvidos em esquemas criminosos distintos. Entre eles estão Valdirene Novo dos Reis, cuja família foi condenada por associação criminosa, e Kelner Araujo De Vasconcelos, denunciado por desvio de recursos públicos para transporte escolar.
Outro escândalo: o caso da família Pagidis
A matéria também resgata a informação de que Hugo Motta empregou uma funcionária fantasma, Gabriela Batista Pagidis, e outros quatro membros de sua família no gabinete. Apenas Gabriela recebeu mais de R$ 807,5 mil entre 2017 e 2025. O TCE-AM solicitou que o MP investigue o caso. A família Pagidis, no total, recebeu mais de R$ 2,8 milhões. Na época, Hugo Motta defendeu-se em nota, alegando que seus funcionários cumprem as obrigações, incluindo aqueles que trabalham remotamente.
Procurados para comentar sobre as procurações e a “rachadinha”, Hugo Motta, Ivanadja Velloso e a maioria dos funcionários citados não se manifestaram.
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