Cid defendeu golpe antes da diplomação de Lula e Alckmin
Mauro Cid teria defendido a necessidade de um golpe de Estado antes do dia 12 de dezembro.
- Foto: divulgação
Interceptações realizadas pela Polícia Federal (PF) expuseram diálogos alarmantes envolvendo o tenente-coronel Mauro Cid e o general da reserva Mario Fernandes. Em um dos áudios, Mauro Cid teria defendido a necessidade de um golpe de Estado antes do dia 12 de dezembro de 2022, data da diplomação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
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“Vou conversar com o presidente. O negócio é que ele espera, espera, espera, mas o tempo tá curto. Dia 12 seria… Teria que ser antes do dia 12, mas com certeza não vai acontecer nada”, afirmou Cid ao general em 8 de dezembro.
Mario Fernandes demonstrou preocupação com a crescente radicalização de manifestantes que questionavam o resultado das eleições. Segundo ele, a demora em agir poderia levar à perda de controle sobre os apoiadores. “Os movimentos de manifestação na rua, ou vão esmaecer ou vão recrudescer com radicalismos, e a gente perde o controle. Pode acontecer de tudo”, afirmou.
Conspiração e prisões
Na última terça-feira (19/11), Mario Fernandes foi preso sob suspeita de envolvimento em uma trama para assassinar Lula, Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação também levou à prisão de outros três militares e um policial federal.
O general da reserva, que foi chefe substituto da Secretaria-Geral da Presidência durante o governo Jair Bolsonaro (PL), está sendo investigado por integrar um grupo de militares de alta patente que buscava influenciar a consumação de um golpe de Estado no Brasil. Em delação premiada, Mauro Cid apontou Fernandes como um dos mais radicais entre os conspiradores.
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Plano golpista e acampamentos
Documentos e áudios obtidos pela PF indicam que Mario Fernandes teve contato direto com manifestantes radicais no acampamento montado próximo ao Quartel-General do Exército, em Brasília, após as eleições de 2022. Ele teria participado ativamente de articulações para instigar movimentos antidemocráticos.
Além disso, a PF revelou que Fernandes tentou pressionar o então presidente Bolsonaro para adotar medidas golpistas antes da posse de Lula, prevista para 1º de janeiro de 2023. Contudo, segundo os áudios, Bolsonaro teria hesitado, preferindo aguardar os desdobramentos das manifestações.
Operação Tempus Veritatis
Em fevereiro, Fernandes foi alvo de busca e apreensão no âmbito da Operação Tempus Veritatis, que investiga as movimentações golpistas de militares e civis. A PF segue aprofundando as apurações, enquanto as prisões de militares envolvidos reforçam a gravidade da ameaça democrática enfrentada no período pós-eleitoral.
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