Com aperto de mão, Lula e Milei têm encontro formal no G20 em meio a tensões
Em junho deste ano, Lula exigiu um pedido de desculpas de Milei pelas ofensas.
- Foto: divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta segunda-feira (18/11) o líder argentino Javier Milei no Rio de Janeiro, no contexto da Cúpula de Líderes do G20. A reunião, marcada por um cumprimento protocolar e frio, refletiu as divergências ideológicas e as trocas de acusações entre os dois líderes nos últimos meses.
Um histórico conturbado
A relação entre Lula e Milei tem sido marcada por atritos desde a campanha eleitoral do argentino, no ano passado. À época, Milei acusou Lula de financiar, sem provas, a candidatura de seu adversário, Sergio Massa. Também não poupou críticas ao brasileiro, chamando-o de “corrupto” e “presidiário comunista”.
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Em resposta, Lula se manifestou pedindo que os argentinos escolhessem “um presidente que goste da democracia”. Após a vitória de Milei, em novembro, o petista enviou uma mensagem formal de parabéns, mas decidiu não comparecer à cerimônia de posse, o que foi interpretado como um sinal de distanciamento.
Em junho deste ano, Lula exigiu um pedido de desculpas de Milei pelas ofensas. O argentino, no entanto, rejeitou a solicitação, reafirmando seus comentários e questionando o porquê de se retratar. “Desde quando tem de pedir perdão por dizer a verdade?”, provocou o líder argentino.
Encontro no G20: formalidade e cautela
No encontro desta segunda-feira, Lula e Milei cumprimentaram-se com um aperto de mão breve e pouco caloroso. O argentino também estendeu o gesto à primeira-dama brasileira, Janja Lula da Silva. Apesar do clima tenso, o encontro foi considerado um passo necessário para alinhar pautas de interesse mútuo entre os dois países.
Brasil e Argentina, apesar das diferenças ideológicas entre seus líderes, têm uma longa história de cooperação, especialmente no âmbito do Mercosul. Analistas apontam que a relação comercial entre as duas nações pode ser uma área de consenso, mesmo diante de divergências políticas.
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Um cenário de mudanças regionais
A visita de Milei ao Brasil ocorre em um momento de reconfiguração das relações diplomáticas na América do Sul. O argentino, alinhado ao ultraliberalismo, tem se posicionado como um crítico contundente da esquerda na região e, em sua viagem anterior ao Brasil, em julho, priorizou encontros com bolsonaristas em Santa Catarina, ignorando qualquer diálogo com o governo Lula.
Enquanto isso, Lula tem buscado consolidar sua liderança regional, promovendo diálogos com governos de diferentes espectros políticos. A presença de ambos no G20 evidencia o desafio de equilibrar interesses nacionais com os compromissos multilaterais.
Próximos passos no G20
A Cúpula de Líderes do G20, que se estenderá até terça-feira (19/11), abordará temas como mudanças climáticas, recuperação econômica e cooperação internacional. Além do encontro com Milei, Lula terá reuniões bilaterais com líderes como Joe Biden, dos Estados Unidos, e Xi Jinping, da China.
Para Milei, o G20 representa uma oportunidade de se posicionar no cenário internacional e fortalecer relações estratégicas, apesar de seu discurso frequentemente confrontador.
Embora o encontro entre Lula e Milei tenha sido marcado pela frieza, ele reforça a importância de manter canais de diálogo abertos entre Brasil e Argentina. Apesar das diferenças políticas, a relação entre os dois países continua a ser fundamental para a estabilidade e a integração da América do Sul.
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