‘Comeram abiu’: Omar Aziz e Eduardo Braga evitam se posicionar sobre captura de Maduro pelos EUA
Enquanto o mundo reage à ofensiva dos EUA na Venezuela, os dois senadores do Amazonas aliados de Lula evitam se posicionar.
- Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Notícias de política – A captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, no último sábado (3), provocou forte repercussão internacional e incendiou o debate político no Brasil. No Amazonas, porém, dois dos principais representantes do estado no Senado Federal optaram pelo silêncio absoluto. Os senadores Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB) não fizeram qualquer comentário público sobre o episódio, atitude que, nas redes sociais, foi traduzida em uma expressão bem conhecida do vocabulário local: “comeram abiu”.
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O que significa “comer abiu”
No Amazonas, dizer que alguém “comeu abiu” não é elogio. A expressão popular se refere à fruta de polpa pegajosa que “cola” na boca e impede a pessoa de falar direito. No sentido figurado, significa ficar calado de propósito, evitar se manifestar para não se comprometer. Foi exatamente essa leitura que internautas e analistas políticos fizeram diante da ausência total de posicionamento de Omar e Braga sobre um dos fatos geopolíticos mais graves dos últimos anos.
Debate nacional, silêncio local
Enquanto políticos de esquerda se manifestaram repudiando a ofensiva militar norte-americana e defendendo a soberania venezuelana, e setores da direita comemoraram a prisão de Maduro, os dois senadores amazonenses não publicaram uma linha sequer sobre o tema. Nenhuma nota, nenhum vídeo, nenhuma postagem.
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O silêncio causou estranhamento porque ambos são aliados diretos do presidente Lula, que mantém uma relação política considerada amistosa com o regime venezuelano. Ao mesmo tempo, Manaus — principal colégio eleitoral do estado — tem perfil majoritariamente conservador e crítico a Maduro.
Cálculo eleitoral e muro político
Nos bastidores, a avaliação é de que o silêncio tem motivação eleitoral. Omar Aziz e Eduardo Braga são pré-candidatos no pleito deste ano e qualquer posicionamento mais firme poderia custar votos. Criticar Maduro poderia gerar atrito com a base governista nacional; defendê-lo, por outro lado, seria combustível para desgaste junto ao eleitorado manauara.
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O resultado foi a opção pelo muro. Nem condenaram a ofensiva dos EUA, nem celebraram a queda do ditador. Preferiram não dizer nada — comeram abiu.
O episódio que eles evitaram comentar
A captura de Maduro ocorreu por volta das 3h do sábado (3), durante uma operação conduzida pelo governo do então presidente Donald Trump. Desde então, o venezuelano está sob custódia no Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn, em Nova York. Segundo a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, ele responderá por acusações de conspiração de narcoterrorismo, importação de cocaína e posse de armas de uso restrito.
Silêncio que fala alto
Ao evitar o tema, Omar Aziz e Eduardo Braga acabaram falando — e muito. Para críticos, o silêncio revela falta de posicionamento em um momento histórico e reforça a imagem de políticos mais preocupados com cálculos eleitorais do que com princípios. No Amazonas, onde “comer abiu” é sinônimo de se esconder, a cobrança já está posta.
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