De olho nas eleições 2026, Eduardo Braga muda discurso e tenta surfar na onda da direita em pauta da dosimetria
Braga é aliado de Lula e tenta “pegar carona” em bandeiras bolsonaristas.
- Foto: Divulgação
Notícias de política – Em meio à rejeição que tem em Manaus e pressionado por um eleitorado majoritariamente conservador no Amazonas, o senador Eduardo Braga (MDB), pré-candidato a reeleição, passou a adotar um discurso que flerta com bandeiras da direita bolsonarista, apesar de manter apoio público ao presidente Lula (PT). A guinada retórica, intensificada no ano pré-eleitoral, levanta questionamentos sobre oportunismo político e coerência programática.
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A mudança ficou evidente com declarações do parlamentar em defesa de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Em vídeo divulgado nas redes sociais antes da aprovação do Projeto de Lei da Dosimetria, Braga afirmou haver “excesso de punição” em alguns casos e cobrou proporcionalidade nas penas. Mas na votação do Projeto no senado ela não compareceu. A fala foi lida por críticos como tentativa de capturar o sentimento de parte da direita que questiona decisões judiciais relacionadas ao episódio.
“Não podemos deixar brasileiros que tem direito a liberdade de expressão presos com penas maiores do que estupradores. Nosso papel é fazer justiça e não procurar vingança”, disse.
Em entrevista, ele chegou a defender o “caso Débora do batom” que refere-se a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, que foi condenada após escrever a frase “Perdeu, Mané” com batom na estátua “A Justiça” em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante os atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.
“Aquela senhora que estava com batom e escreveu lá na escultura da Justiça merecia 17 anos de prisão? Na minha opinião, não”, disse. O trecho viralizou e virou combustível para o debate público. Para analistas políticos, o recado foi calculado: sinalizar empatia com pautas caras ao bolsonarismo sem romper formalmente com a base governista no Senado.
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O problema é o histórico. Braga é identificado como aliado do Planalto e vota com frequência com o governo federal. Essa associação pesa no Amazonas, onde a preferência eleitoral pende à direita e onde o senador enfrenta resistência, sobretudo na capital. A tentativa de reposicionamento, portanto, soa menos como convicção e mais como ajuste tático para reduzir desgaste e ampliar alcance eleitoral.
A reação veio rápida — e dos dois lados. Setores progressistas acusaram o senador de incoerência. Já eleitores conservadores apontaram contradição: um aliado de Lula tentando “pegar carona” em bandeiras bolsonaristas.
O contexto pré-eleitoral explica parte do movimento. Com índices de rejeição elevados e necessidade de reconstruir narrativa, Braga parece apostar em discursos pontuais para testar terreno. O risco, contudo, é alto. Ao tentar agradar públicos opostos, o senador corre o perigo de não convencer nenhum — ficando marcado como político de ocasião.
Em resumo, a guinada de Eduardo Braga evidencia uma tentativa de rebranding político em ritmo acelerado. Apoiar Lula e, ao mesmo tempo, ecoar pautas da direita bolsonarista pode render manchetes, mas não garante credibilidade. Em política, coerência ainda conta — e o eleitor percebe quando o discurso muda conforme o vento.
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