Debate sobre fim da escala 6×1 ganha força nas redes sociais, mas maioria dos deputados do Amazonas resiste a proposta
No Amazonas, apenas o deputado federal Saullo Vianna (UB) aderiu à proposta até agora.
- Arte: Luiza Araújo/Portal AM POST
O debate sobre o fim da escala de trabalho de 6 dias consecutivos seguidos por apenas um dia de descanso, conhecida como escala 6×1, gerou uma onda de manifestações nas redes sociais nos últimos dias. Trabalhadores de todo o país têm pressionado parlamentares a apoiar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa extinguir essa jornada considerada por muitos como exaustiva e desgastante. No Amazonas, no entanto, apenas o deputado federal Saullo Vianna (União Brasil) aderiu à proposta até agora, enquanto os demais deputados da bancada do estado ainda se mantêm ausentes das assinaturas.
Os deputados Alberto Neto (PL), Amom Mandel (Cidadania), Átila Lins (PSD), Fausto Junior (União Brasil), Sidney Leite (PSD), Silas Câmara (Republicanos) e Adail Filho (Republicanos) ainda não declararam apoio à proposta. A PEC precisa de um mínimo de 171 assinaturas para começar a tramitar oficialmente, e o apoio crescente nas redes sociais já impulsionou o número de assinaturas de 71 para 100 nesta segunda-feira, 11 de novembro.
PUBLICIDADE
Pressão nas redes e a comparação de jornadas
Internautas expuseram suas frustrações, destacando a disparidade entre a jornada de trabalho dos políticos e dos trabalhadores. Segundo apontam, parlamentares têm uma agenda de trabalho de três dias na semana e recebem salários de R$ 44 mil, enquanto trabalhadores comuns, como aqueles do setor industrial e de comércio, precisam se submeter à escala 6×1, ganhando um salário mínimo para cumprir uma jornada de seis dias consecutivos de trabalho por apenas um dia de descanso. “A classe política não liga para trabalhador”, publicou um internauta, ecoando o sentimento de insatisfação que tem se espalhado entre os usuários das redes.
Para muitos, a PEC simboliza uma luta pela valorização da qualidade de vida dos trabalhadores e um movimento para alinhar a legislação trabalhista às condições contemporâneas de trabalho.
Deputados do Amazonas na contramão do clamor popular
Enquanto a proposta ganha impulso no cenário nacional, a postura dos deputados amazonenses, que ainda não assinaram a PEC, tem gerado questionamentos e críticas. Os eleitores do estado esperam que a bancada se posicione de maneira favorável aos interesses dos trabalhadores e que os representantes amazonenses reconsiderem sua posição, visto que o tema afeta diretamente uma grande parcela da população que trabalha sob condições exigentes.
Saullo Vianna, único deputado amazonense que até agora apoiou a proposta, não se manifestou publicamente sobre os motivos de seu apoio, mas sua assinatura já foi interpretada como um passo em direção ao reconhecimento das demandas dos trabalhadores. Já os deputados que ainda não aderiram à PEC enfrentam uma crescente pressão para justificar suas posições, especialmente diante da visibilidade alcançada pela discussão nas redes sociais.
PUBLICIDADE
O ex-deputado federal e ex-candidato a prefeito de Manaus, Marcelo Ramos, também se manifestou nas redes sociais cobrando os parlamentares do estado.
“O que está em discussão não é nem aprovar a PEC ainda. O que está em discussão é coletar as 171 assinaturas necessárias para que a PEC possa tramitar e esse debate seja travado dentro do Congresso Nacional. Portanto, um deputado que se nega a assinar a PEC para tramitação demonstra absurdo descompromisso com o trabalhador brasileiro. Um absurdo descompromisso com as pessoas mais simples, que precisam trabalhar mas que precisam também viver. Portanto é hora de fazer um apelo aos deputados para que tenham responsabilidade com os trabalhadores, assinem a PEC e permitam que ela tramite”, disse.
Movimento crescente em defesa do trabalhador
De acordo com o texto proposto pela deputada Erika Hilton (PSol-SP) em parceria com o movimento social Vida Além do Trabalho (VAT), liderado pelo vereador carioca Rick Azevedo (PSol), a proposta visa substituir a escala 6×1 por opções mais equilibradas, como a escala 4×3, que oferece quatro dias de trabalho e três de descanso.
A PEC pretende modificar a Constituição no trecho que regulamenta a carga horária de trabalho, atualmente limitada a 8 horas diárias e 44 horas semanais, para permitir outras configurações mais flexíveis e humanas. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece hoje que o trabalhador deve ter ao menos um dia de descanso por semana, mas a proposta do VAT busca ampliar essa margem de descanso para que o trabalhador tenha mais tempo de recuperação, o que, segundo apoiadores, contribuiria para o bem-estar físico e mental dos funcionários.
O VAT, que vem se destacando na defesa dos direitos trabalhistas, acredita que a mudança é essencial para adequar a legislação ao modelo de vida e trabalho atual, onde o desgaste e o estresse afetam consideravelmente a saúde dos trabalhadores. A organização ressalta que a proposta da escala 4×3 traria benefícios não apenas aos trabalhadores, mas também às empresas, com reflexos positivos na produtividade e na redução de afastamentos por problemas de saúde.
Encontrou algum erro? Clique aqui e nos ajude a melhorar a informação
Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
Siga-nos








