Delação: Mauro Cid diz que comandante do Exército ameaçou prender Bolsonaro em reunião sobre contestação do resultado das eleições
Conforme delação, o almirante Almir Garnier, da Marinha, teria sido o único comandante das três Forças a apoiar o golpe proposto.
- Foto: Reprodução
Em uma delação premiada, o tenente-coronel Mauro Cid revelou detalhes de uma reunião que ocorreu no ano passado entre Jair Bolsonaro e a cúpula das Forças Armadas. Conforme Cid, durante o encontro, o general Marco Antônio Freire Gomes, então comandante do Exército, teria ameaçado dar voz de prisão a Bolsonaro caso ele prosseguisse com seus planos de golpe de Estado.
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A reunião, que aconteceu no Palácio do Planalto em 24 de novembro, teve como objetivo buscar apoio das Forças Armadas para contestar o resultado das eleições e prender opositores, incluindo o atual presidente, Lula. No entanto, a reação de Freire Gomes surpreendeu a todos. Ele não apenas afirmou que o Exército não compactuaria com um golpe, como também declarou diretamente a Bolsonaro: “Se o senhor for em frente com isso, serei obrigado a prendê-lo”.
De acordo com o tenente-coronel Cid, o almirante Almir Garnier, da Marinha, teria sido o único comandante das três Forças a apoiar o golpe proposto por Bolsonaro. Já o brigadeiro Carlos Batista, da Aeronáutica, permaneceu em silêncio durante a reunião.
Essa revelação através da delação premiada de Mauro Cid trouxe à tona informações importantes sobre os bastidores do governo Bolsonaro. Além disso, mostra que nem todos os militares estavam dispostos a apoiar o golpe.
Na delação, Cid ainda teria revelado que Garnier aderiu ao golpe por dever favores a Bolsonaro. Ele foi alçado ao comando da Marinha pelo ex-presidente sem ter comandado nenhuma das esquadras da força – uma pré-condição para se chegar ao topo da carreira.
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Caso seja confirmada a delação de Cid, Garnier – que estaria com problemas de saúde – pode responder por ao menos dois crimes: abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado.
Na Justiça militar, o almirante pode perder a patente. E mesmo que venha a ser deposto do quadro de oficiais, seu salário será pago na conta da esposa.
Em nota, a defesa de Mauro Cid cita as matérias da imprensa sobre “possíveis reuniões com a cúpula militar para avaliar golpe no país” e afirma que “não tem os referidos depoimentos, que são sigilosos, e por essa mesma razão não confirma seu conteúdo”.
Os advogados de defesa de Jair Bolsonaro (PL) emitiram um comunicado alegando que o ex-presidente “jamais compactuou” com qualquer movimento ilegal. Eles afirmam que o ex-presidente “durante todo o seu governo jamais compactuou com qualquer movimento ou projeto que não tivesse respaldo em lei, ou seja, sempre jogou dentro das quatro linhas da Constituição Federal”.
Redação AM POST*
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