Uma operação da Polícia Federal (PF) foi deflagrada no dia 8 de fevereiro com o objetivo de investigar o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros membros de seu governo, incluindo ministros de Estado e militares, por suposta participação em uma organização criminosa voltada para a tentativa de golpe de Estado. A operação, denominada “Tempus Veritatis”, teve como ponto de partida o acordo de colaboração premiada fechado por Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, com a PF.
Segundo as investigações, o grupo teria elaborado uma minuta, com a participação do ex-presidente Bolsonaro, que incluía medidas contra o Poder Judiciário, como a prisão de ministros da Suprema Corte, além de promover a disseminação de notícias falsas contra o sistema eleitoral brasileiro. As ações visavam também monitorar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, responsável por autorizar a operação.
A operação resultou no cumprimento de 33 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva, com os investigados proibidos de manter contato entre si e de deixar o país, além da suspensão do exercício de funções públicas. Dentre os alvos estavam ex-ministros de Estado e militares de alta patente, como o ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, e o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres.
A PF apontou que o grupo se dividia em seis núcleos para a tentativa de golpe de Estado, incluindo desinformação e ataques ao sistema eleitoral, incitação ao golpe entre militares, atuação jurídica, coordenação de ações operacionais, inteligência paralela e oficiais de alta patente que legitimavam as ações.
As investigações revelaram também uma série de eventos relacionados ao planejamento do golpe, incluindo uma reunião com a alta cúpula do governo federal, na qual foi discutida a disseminação de informações falsas sobre supostas fraudes nas eleições. O ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, chegou a propor ações para garantir a permanência de Bolsonaro no comando do país, utilizando uma analogia esportiva sobre o uso do VAR (assistente de vídeo).
Além disso, o grupo teria monitorado deslocamentos do ministro Alexandre de Moraes e trocado mensagens sobre a organização dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, que resultaram em ataques e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília.
Diante das evidências encontradas, a PF concluiu que o grupo atuava de forma coordenada para promover a desestabilização das instituições democráticas e a tentativa de golpe de Estado. As medidas tomadas durante a operação foram autorizadas pelo procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, e tiveram o aval do ministro Alexandre de Moraes.