A proposta de instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação de organizações não governamentais (ONGs) e do Padre Júlio Lancellotti em ações sociais no centro da cidade de São Paulo enfrenta reviravoltas, à medida que dez vereadores que inicialmente apoiaram a iniciativa decidiram recuar de suas assinaturas.
O requerimento para abertura da CPI foi protocolado em 6 de dezembro do ano passado pelo vereador Rubinho Nunes (União Brasil) e obteve 25 assinaturas. Contudo, após críticas e repercussões negativas sobre a investigação proposta, dez vereadores decidiram retirar seus apoios, comprometendo o prosseguimento da CPI. Até o momento, o vereador Gilson Barreto (PSDB) foi o décimo a retirar sua assinatura.
O vereador Xexéu Tripoli (PSDB) expressou sua indignação nas redes sociais, destacando seu apoio ao Padre Júlio Lancellotti e seu trabalho humanitário exemplar. Ele ressaltou que não apoia a perseguição política a líderes religiosos e que a CPI perderia sua finalidade inicial de fiscalizar o dinheiro público.
A retirada das assinaturas indica um cenário desfavorável para a aprovação da CPI na Câmara Municipal de São Paulo. Embora a Câmara tenha esclarecido que a retirada simbólica das assinaturas não impeça o próximo passo, que é a avaliação no Colégio de Líderes, a dificuldade em angariar apoio entre os vereadores se torna evidente.
O vereador Rubinho Nunes, autor do requerimento, afirmou em suas redes sociais que o Padre Júlio Lancellotti seria alvo das investigações, alegando que ele atua como um “cafetão” e acusando-o de distribuir marmitas sem efetivamente ajudar os necessitados.
A CPI proposta não especifica claramente quais entidades e pessoas serão investigadas, mencionando apenas a intenção de examinar ONGs que fornecem alimentos, utensílios para uso de substâncias ilícitas e tratamento de dependentes químicos na região da Cracolândia.
Apesar da incerteza sobre o desdobramento da CPI, a discussão sobre a atuação de ONGs que recebem financiamento público para atividades na região continua, levantando questões sobre a transparência e a fiscalização dessas entidades. O Padre Júlio Lancellotti, em nota, esclareceu que não pertence a nenhuma organização vinculada ao requerimento da CPI e que a Pastoral de Rua é uma ação pastoral da Arquidiocese de São Paulo sem ligação formal às atividades mencionadas na proposta de investigação.