Dias antes da crise de oxigênio no AM, Eduardo Braga defendeu abertura do comércio em Manaus

Agora, o político usa a CPI da Covid como palanque eleitoral e para vender a imagem de defensor das medidas de distanciamento social.

Redação AM POST*

O senador Eduardo Braga (MDB), apontado como pré-candidato ao governo do Amazonas nas próximas eleições, usa a CPI da Covid como palanque eleitoral e para vender a imagem de defensor das medidas de distanciamento social, de combate à pandemia, postura diferente da adotada em dezembro do ano passado, quando defendeu a abertura do comércio dias antes da crise de oxigênio no Estado.

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O Governo do Amazonas publicou, no dia 23 de dezembro, um decreto que ampliava o nível de restrição em razão do aumento de casos da Covid-19 no Estado, mas foi alvo de protestos por parte da sociedade e do senador. O aumento das medidas de isolamento tinha como base análises da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) que identificavam um recrudescimento da pandemia e a necessidade de reforçar medidas de isolamento social.

Vinte dias antes da saúde do Amazonas entrar em colapso, Braga fez postagem em uma rede social, em 26 de dezembro de 2019, defendendo a abertura do comércio no Estado. Três dias após a publicação, o decreto foi revogado.

“Não é hora de fechar o comércio e sim incentivar o empreendedor, sob pena de causar prejuízos irreparáveis à atividade econômica e gerar ainda mais desemprego”, disse ele no post.

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O parlamentar que também foi governador do Amazonas, entre 2003 e 2010, cobrou ainda na publicação investimento na saúde, sendo que em seus dois mandatos não construiu nenhuma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no interior do Estado deixando os municípios sem respiradores e sem atendimento clínico especializado para vítimas da Covid-19.

“Faço um apelo para que este decreto seja revisto”, afirmou Braga na publicação mesmo com indícios de que haveria o pico da 2ª onda.

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O estado voltou a entrar em colapso, em janeiro deste ano, por conta do novo surto da doença, e sofreu com falta de oxigênio nos hospitais. O número de mortes, internações e novos casos foi muito maior do que na primeira onda, ocorrida entre abril e maio do ano passado.

Nos dias 14 e 15 de janeiro, por conta da segunda onda, os hospitais de Manaus estavam lotados e ficaram sem oxigênio para os pacientes. A demanda aumentou, em 15 dias, de 30 mil m³ diários para 76 mil m³, superando a capacidade de fornecimento da empresa terceirizada.

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