Em colisão com governo, Motta e Alcolumbre esvaziam sanção o IR
Em vez de repercutir o benefício fiscal ao trabalhador, o destaque do dia passou a ser o distanciamento entre Lula e o Parlamento.
- Foto: VINICIUS SCHMIDT
Notícias de Política – A cerimônia preparada pelo governo federal para celebrar a sanção do projeto que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil — uma das principais apostas do presidente Lula para reforçar sua imagem rumo a 2026 — acabou tomada por uma crise política. Os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidiram não comparecer ao evento, aprofundando o clima de ruptura entre o Executivo e o Congresso.
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A ausência das duas principais lideranças do Legislativo transformou o que seria uma solenidade com tom de campanha eleitoral em um símbolo de desgaste institucional. Em vez de repercutir o benefício fiscal ao trabalhador, o destaque do dia passou a ser o distanciamento entre Lula e o Parlamento.
Tensão crescente entre governo e Congresso
Hugo Motta tem sido alvo de ataques de aliados do Planalto nas redes sociais — incluindo setores ligados ao chamado “gabinete do ódio do PT” — e entrou em conflito direto com o líder do partido na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ). Segundo o presidente da Câmara, os ataques e acusações sobre sua condução de projetos, como o polêmico PL Antifacção, selaram seu afastamento do governo.
No caso de Alcolumbre, o estopim foi a escolha do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. O senador teria sido pego de surpresa com a decisão, que preteriu seu aliado, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), gerando forte insatisfação.
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Festa esvaziada e constrangimentos adicionais
Mesmo com a crise instalada, Lula manteve convites a dois nomes centrais na tramitação da proposta: Renan Calheiros (MDB-AL) e Arthur Lira (PP-AL). Os dois, adversários históricos em Alagoas, foram responsáveis por relatar o texto nas respectivas Casas e não ficaram satisfeitos por dividir o protagonismo — mas confirmaram presença.
A ausência das maiores autoridades do Legislativo, porém, deixa claro que o gesto vai muito além de uma discordância pontual. Para integrantes da cúpula do Congresso, trata-se de um rompimento na prática, que sinaliza meses de tensão pela frente em votações estratégicas.
A sanção do novo IR, que deveria ser o destaque do dia, acabou soterrada pela crise, levando a mais um capítulo de desgaste entre o Planalto e o Parlamento.
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