Em debate na Argentina, Milei nega impacto humano na crise do clima e rejeita agenda da ONU
Contrariando o que Milei afirmou, 99% das pesquisas sobre o clima apontam que as atividades humanas desempenham um papel indiscutível nas mudanças climáticas.
- Foto: Reprodução
O candidato libertário Javier Milei tentou esclarecer suas declarações controversas sobre temas como a liberação de armas e a venda de órgãos durante o último debate antes das eleições na Argentina, agendadas para 22 de outubro. Após recuar em relação às principais polêmicas, ele foi questionado por suas declarações sobre a crise climática.
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Durante as discussões finais entre os candidatos presidenciais, Myriam Bregman, da Frente de Esquerda, acusou o libertário de negar o aquecimento global. Milei então reagiu, afirmando que essa acusação era uma “mentira”. No entanto, ele posteriormente foi contra o consenso científico e negou que as atividades humanas tenham um impacto na crise climática.
“Não nego as mudanças climáticas, o que eu digo é que na história da Terra, houve um ciclo de temperaturas. Este é o quinto ciclo e a principal diferença em relação aos anteriores é a existência do ser humano. Portanto, todas as políticas que culpam os seres humanos são falsas”, argumentou.
Contrariando o que Milei afirmou, 99% das pesquisas sobre o clima apontam que as atividades humanas desempenham um papel indiscutível nas mudanças climáticas. Isso foi evidenciado em um recente levantamento da revista Environmental Research Letters, que analisou 88 mil estudos produzidos ao longo de quase uma década e concluiu que os cientistas estão cada vez mais unidos em relação a essa conclusão. Sobre as pesquisas que vinculam as atividades humanas à crise climática, Javier Milei afirmou que elas “só servem para arrecadar fundos e financiar os socialistas que escrevem artigos”.
Minutos depois, outro candidato optou por insistir no tema em uma pergunta direcionada ao libertário. O governador de Córdoba, Juan Schiaretti, questionou se Javier Milei manterá a Argentina no Acordo de Paris, caso seja eleito. O acordo estabelece que os países devem limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC e representa, nas palavras da ONU, o compromisso dos governos com a implementação da Agenda 2030 do Desenvolvimento Sustentável. Milei respondeu: “Não vamos aderir à Agenda 2030, não apoiamos o marxismo cultural”, afirmando que possui uma agenda energética para enfrentar a crise climática.

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