Esquema da Odebrecht usava dinheiro da Rua 25 de Março, alvo de Trump, para alimentar caixa 2 eleitoral
O esquema envolvia três doleiros brasileiros, detidos pela Lava Jato e que firmaram acordo de delação.
- Marcelo Camargo / Agência Brasil
Notícias de Política – Investigação aponta que, entre 2013 e 2015, uma transportadora utilizada por doleiros da Odebrecht recolhia dinheiro em espécie em lojas da Rua 25 de Março e do Brás, em São Paulo, para financiamento de caixa 2 eleitoral. O montante era entregue diretamente a intermediários ligados à empreiteira, a partir de ordens do departamento de propinas do grupo.
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De acordo com diálogos obtidos pela Lava Jato via Skype, o recolhimento era feito por policiais militares, ativos ou aposentados, remunerados em R$ 180 por dia. Em sacolas, chegavam a transportar até R$ 500 mil em espécie, que depois eram destinadas a políticos em residências, escritórios ou flats indicados pela Odebrecht.
O esquema envolvia três doleiros brasileiros, detidos pela Lava Jato e que firmaram acordo de delação, em atuação conjunta com um doleiro chinês. Este último negociava previamente com lojistas da Rua 25 de Março para recolher os valores e financiar fornecedores na China.
O dinheiro coletado era levado para salas comerciais alugadas, utilizadas como “bunkers”, e então enviado para a sede da transportadora na zona oeste de São Paulo. Lá, os valores ficavam armazenados em cofre até serem remetidos, no dia seguinte, aos destinatários indicados pela Odebrecht.
A menção à Rua 25 de Março aparece em um relatório do Escritório de Representação Comercial dos EUA (USTR), que, em 15 de julho, abriu uma investigação sob a Seção 301 da lei comercial americana. O documento afirma que práticas como a pirataria – bastante comum na região – causam prejuízos às empresas norte-americanas e poderiam justificar tarifas sobre produtos importados do Brasil.
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