Fotos mostram encontros de Silas com presidente da CBPA preso na CPMI do INSS que revelou repasses a família Câmara
Os registros nas redes sociais mostram que Silas e Abraão Lincoln mantinham relação próxima e agenda de encontros públicos.
- Foto: Reprodução
Notícias de política – O deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) publicou, ao longo deste ano, fotos ao lado do presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Lincoln Ferreira, que foi preso em flagrante por falso testemunho na última segunda-feira (3), durante sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, em Brasília. Na mesma sessão o depoente foi questionado sobre repasses de verbas da confederação para familiares do parlamentar amazonense.
Os registros nas redes sociais mostram que Silas e Abraão Lincoln mantinham relação próxima e agenda de encontros públicos. Em fevereiro, o deputado publicou fotos de uma reunião com pescadores e pescadoras na Colônia Z-13, no município de Itacoatiara (AM). Na imagem, aparecem o próprio Silas, Abraão Lincoln e o deputado estadual Comandante Dan Câmara, irmão de Silas, além de outras lideranças locais do setor pesqueiro.
Já em março, Silas voltou a divulgar fotos com o dirigente da CBPA em um encontro mais restrito. Na ocasião, ele escreveu:
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“Estive reunido com o nosso amigo Abraão Lincoln, presidente da Confederação Brasileira de Pesca e Aquicultura (CBPA). Momento de conversa sobre os desafios dos últimos tempos, além de sempre colocarmos em pauta nossos trabalhadores das águas, do Amazonas e do nosso Brasil.”
As postagens, que seguem disponíveis nas redes sociais do deputado, chamaram atenção após a prisão de Abraão Lincoln e a revelação, na CPMI, de repasses de recursos da CBPA para empresas ligadas à família Câmara.
Família Câmara citada na CPMI
Durante a sessão da última segunda-feira, o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), detalhou as movimentações financeiras atribuídas à confederação. Segundo os dados apresentados, os repasses foram feitos por meio das empresas Network Serviços de Comunicação Multimídia Agenciamento Ltda. e Conektah Estratégias Digitais Ltda., que teriam recebido verbas da CBPA.
Parte do dinheiro, de acordo com Alfredo Gaspar, teria sido destinada à Fundação Boas Novas (FBN), instituição com sede em Manaus presidida pelo pastor Jônatas Câmara, irmão de Silas. Além disso, pagamentos também foram identificados em nome de Heber Tavares Câmara, Milena Câmara e do próprio Silas Câmara.
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Durante o interrogatório, o relator questionou diretamente o presidente da confederação sobre os repasses:
“Mandou R$ 1,9 milhão para a empresa e a empresa mandou R$ 11 mil para a Fundação Boas Novas, que é de Jônatas Câmara. A empresa que o senhor mandou R$ 1,9 milhão mandou R$ 37 mil para Heber Tavares Câmara. R$ 9 mil dessa empresa veio para a conta do senhor Silas Câmara. O senhor conhece Silas Câmara?”, perguntou Gaspar.
Abraão Lincoln respondeu afirmativamente.
Prisão
Ao final da oitiva, o presidente da CBPA foi preso por falso testemunho. O pedido partiu do relator Alfredo Gaspar e foi acolhido pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana, que justificou a decisão afirmando que o depoente, na condição de testemunha, “fez afirmação falsa, negou ou calou a verdade”.
Outro lado
Após repercussão negativa da revelação da CPMI do INSS, Silas Câmara se manifestou em nota nas redes sociais repudiando as menções feitas a ele e sua família na sessão.
“Deixo claro que não existe nenhuma irregularidade envolvendo a mim e minha família”, disse.
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