Lula alinha discurso com regime comunista chinês, critica EUA e defende nova governança mundial
O presidente Xi Jinping já deixou claro em diversas ocasiões que deseja uma governança mundial com regras que reflitam os interesses e os valores chineses.
- Foto: Ricardo Stuckert / PR
Notícias de política – Em mais uma fala controversa durante viagem à França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender uma “mudança na governança mundial”, desta vez colocando em dúvida a neutralidade do Brasil ao exaltar o líder chinês Xi Jinping e, simultaneamente, criticar os Estados Unidos, especificamente o presidente Donald Trump. As declarações, feitas em coletiva de imprensa neste sábado (7), repercutiram negativamente entre analistas políticos.
Lula iniciou sua fala dizendo que pretende ligar pessoalmente para Trump caso ele não participe da COP30, prevista para acontecer no Brasil. “Vou ligar para ele e falar: ‘Ô, cara, a COP aqui no Brasil. Vamos discutir esse negócio. Os Estados Unidos são um país importante, muito rico, mas também polui muito ainda. Então, como é que ele não vai participar?’”, ironizou o petista, em tom informal que chamou a atenção.
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Por outro lado, Lula destacou o líder chinês Xi Jinping como essencial para os debates globais, especialmente no contexto da governança climática. “Eu acho que os grandes governantes do mundo, como Xi Jinping, têm que participar dessas coisas para a gente poder tomar decisões”, disse, em referência à participação na COP30.
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A fala foi seguida de uma crítica mais direta à atual estrutura de governança mundial. “E ai entra a nossa briga pela governança mundial. Se a gente não tiver uma governança mundial representativa, com poder de decisão e de fiscalizar o cumprimento das decisões, nada acontece”, afirmou Lula, defendendo mudanças no paradigma de poder global.
Viés ideológico ou pragmatismo geopolítico?
As declarações do presidente brasileiro levantaram questionamentos sobre qual seria o papel que Lula deseja para o Brasil em um cenário internacional cada vez mais polarizado entre Estados Unidos e China. Ao elogiar publicamente o líder do regime comunista chinês e colocar em dúvida o engajamento dos EUA em pautas ambientais, Lula parece adotar um discurso que flerta com os interesses de Pequim.
Analistas apontam que a fala pode ser vista como um aceno ao projeto chinês de reformular a ordem global através de uma estrutura multipolar. O presidente Xi Jinping já deixou claro em diversas ocasiões que deseja uma governança internacional menos centrada no Ocidente, com regras que reflitam os interesses e os valores chineses. Essa nova ordem multipolar, embora vendida como “mais justa”, é fortemente influenciada pelo autoritarismo e pelo controle estatal de informação — pontos frequentemente criticados no Ocidente.
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Enquanto isso, a política externa americana, especialmente durante o governo de Donald Trump, adotou um tom de confronto com a China, defendendo a soberania nacional e uma ordem mundial baseada na liderança americana. O retorno de Trump ao debate internacional pode reaquecer a rivalidade geopolítica, tornando o alinhamento brasileiro ainda mais delicado.
Neutralidade brasileira em risco
Historicamente, o Brasil tem buscado manter uma postura de equilíbrio nas relações internacionais, evitando tomar lados claros em disputas entre potências. No entanto, as falas recorrentes de Lula — exaltando a China e criticando os EUA — podem comprometer essa tradição diplomática.
“Quando o presidente do Brasil, anfitrião da COP30, sugere que a liderança chinesa deve ser protagonista das decisões globais e, ao mesmo tempo, trata os EUA com ironia e desdém, ele está jogando com fogo”, avalia o professor de Relações Internacionais Felipe Monteiro. “Isso pode isolar o Brasil de blocos estratégicos e comprometer investimentos importantes, sobretudo norte-americanos”.
COP30 e a guerra por narrativas
A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Belém (PA), está se tornando uma arena de disputa política antes mesmo de seu início. Ao propor um novo modelo de governança global em nome da pauta ambiental, Lula pode estar tentando impulsionar o protagonismo brasileiro, mas suas escolhas de interlocutores — privilegiando líderes autoritários em detrimento de democracias ocidentais — colocam esse plano sob suspeita.
A insistência do presidente em colocar Xi Jinping como figura central nas decisões globais contrasta com a realidade de um regime que é constantemente acusado de violações de direitos humanos, controle da imprensa e falta de transparência — justamente os elementos que dificultam qualquer governança global com credibilidade.
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