Natura e cooperativa entram na mira da CPI das ONGs após denúncia de exploração de indígenas
Segundo denúncia do cacique Miguel dos Santos, os indígenas são contratados para colher as sementes e recebem diária de apenas R$ 3.
O presidente da CPI das ONGs, senador Plínio Valério (PSDB-AM), vai apresentar um requerimento para cobrar explicações da direção da empresa Natura e da Cooperativa Mista da Floresta Nacional do Tapajós (COOMFLONA) sobre denúncia feita em depoimento na comissão pelo cacique da aldeia Bragança, Miguel dos Santos Correa, de exploração de indígenas na fabricação de produtos.
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O cacique afirma que o Coomflona contrata os indígenas, os leva para o mato para colher as sementes de copaíba e andiroba, com chuvas e se arriscando com cobras, e paga uma diária de apenas R$ 3, sendo que os produtos são revendidos por valores vultosos pela cooperativa para indústria de cosméticos.
Um litro de sementes é vendido para a Natura por valores que chegam a R$ 1 mil. O cacique afirma que as ONGs atuam na região apenas para captar recursos no Brasil e no exterior, em nome dos indígenas. Ele diz ainda que os explorados têm medo de fazer denúncias.
“E por que eles podem vender pra Natura milhões de toneladas de sementes? E o litro? Pagando diária R$3,00 enquanto o litro da copaíba eles estão vendendo pra fora a R$1 mil ? A floresta nacional é rica de andiroba, é muito rica. E as comunidades são submissas a eles: ‘Bora! Vocês têm que juntar e entregar tantas toneladas’. E esses recursos dessas sementes nunca chegaram para as comunidades. E por que o índio não pode fazer também? Nós criamos uma cooperativa, nossa, indígena; eles nos embargaram. Essa Coomflona, que é uma cooperativa mista, criou várias “ongzinhas” lá dentro de associações para falar contra nós. Eles implantaram em cada comunidade um cacique para não deixar nós trabalharmos, para não deixar nós nos desenvolvermos”, denunciou o cacique Miguel dos Santos Duarte.
No encerramento do quarto dia de funcionamento da CPI das ONGs, o presidente Plínio Valério destacou as denúncias de tratamento cruel dado pelas ONGs aos indígenas que dizem proteger. O senador prevê dificuldades para vencer o bloqueio que essas ONGs buscarão no Judiciário, mas diz que os membros da CPI estão unidos.
“A gente está unido nisso aí. Até onde vamos? A nossa coragem vai determinar até onde nós podemos ir. Nós vamos até onde for possível. Infelizmente, vamos esbarrar nos tribunais com certeza absoluta. Quando a gente pedir aqui quebra de sigilo fiscal e bancário de algumas dessas ONGs, com certeza elas vão recorrer a quem de direito. E a gente, que vive num país dito democrático, tem que respeitar; mas nós vamos até onde for possível, porque medo não há”, afirmou o senador.
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