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Política

Olavo de Carvalho ataca militares e pede que seus alunos deixem governo

Em publicação nas redes sociais nesta sexta-feira, escritor diz que a equipe está cheia de inimigos do próprio presidente e do povo.

  • Por AM POST

  • 08/03/2019 às 16:41

  • Atualizado em 08/03/2019 às 17:21

  • Leitura em três minutos

Folhapress

“Imaginem então o general, que, emergindo da tediosa e austera secura da vida militar, se vê de repente cercado de luzes, câmeras e gostosas repórteres. Cai de joelhos”. Olavo de Carvalho, guru ideológico do presidente Jair Bolsonaro, publicou nesta sexta-feira, 08, no Twitter uma nova série de ataques à imprensa e à ala militar do governo, que deu ordem para que os comentários ofensivos do escritor sejam ignorados no Planalto.

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Um dia antes, Olavo havia pedido para que seus alunos deixassem o governo com o argumento de que há muitos “inimigos” entre os que cercam Bolsonaro -em alusão indireta ao vice-presidente, general Hamilton Mourão, que tem atuado como uma espécie de bombeiro a cada declaração ou ato polêmico do presidente.

“Todos os meus alunos que ocupam cargos no governo -umas poucas dezenas, creio eu- deveriam, no meu entender, abandoná-los o mais cedo possível e voltar à sua vida de estudos”, escreveu Olavo. “O presente governo está repleto de inimigos do presidente e inimigos do povo, e andar em companhia desses pústulas só é bom para quem seja como eles”, completou.

Aliados de Bolsonaro avaliam que Olavo resolveu comprar “uma briga desnecessária e inexplicável” com Mourão e que é preciso desconsiderar esses tipos de declarações, tratando-as como desimportantes, nas palavras de um auxiliar próximo ao presidente.

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Nesta sexta, porém, o mentor da nova direita no Brasil voltou a atuar, comentando a repercussão de um vídeo escatológico divulgado por Bolsonaro no Carnaval. Segundo Olavo, o Brasil “perdeu senso de orientação” ao “louvar como artistas os que produzem pornografia” e acusar de “pornográficos” aqueles que a denunciam.

A ala militar do governo ficou bastante incomodada com a divulgação do vídeo pelo presidente e atuou para conter os danos da polêmica, que teve repercussão internacional.

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Na visão de Olavo, no entanto, Bolsonaro não deve dar atenção à imprensa tradicional e deve se comunicar diretamente com o povo -o presidente publicou o vídeo no Twitter e esta foi justamente uma das principais críticas sobre a ação, que teria um alcance em massa praticamente livre de filtros. O guru ideológico de Bolsonaro disse que os políticos em Brasília estão “longe do povo e perto da mídia” e que, por isso, argumenta, “obedecem” aos jornalistas.

A imprensa é alvo habitual de seus ataques, em eco com o que faz Bolsonaro e seus filhos. Para eles, os movimentos progressistas deterioram o cenário jornalístico, cultural e acadêmico. “Cada político, em Brasília, está longe do povo e perto da mídia. Logo ele entende a quem deve obedecer. Será que todos votamos no Bolsonaro para ter um governo tucano? Quantos ministros do atual governo pensam que sim? E não são todos eles uns traidores filhos da puta dignos de ser jogados na privada?”, escreveu Olavo nesta sexta.

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“Existe fraude mais porca do que jornais sem leitores falarem no tom de quem fosse lido pela nação inteira?”, completou.

De acordo com o escritor, para acompanhar a imprensa tradicional no Brasil é preciso “renunciar totalmente à nossa consciência, à nossa capacidade cognitiva, à confiança nos nossos sentidos e na nossa memória”. “A autoridade dessas porcarias baseia-se inteiramente na nossa autodestruição psíquica”.

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