Paul Krugman critica Trump por tarifa sobre o Brasil: ‘maligna e megalomaníaca’
Economista e Nobel afirma que tarifa de 50% tem fins políticos e representa ameaça à democracia brasileira

Foto: Wikimedia
Política – O economista norte-americano Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2008, fez duras críticas à decisão do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Em artigo publicado na quarta-feira (9), intitulado “Programa de Proteção a Ditadores de Trump”, Krugman classificou a medida como “maligna e megalomaníaca”, argumentando que o gesto tem motivações essencialmente políticas.
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A crítica repercutiu amplamente após a publicação no Portal G1, reforçando a tensão crescente nas relações entre Brasil e Estados Unidos diante da postura protecionista adotada por Trump, que é pré-candidato à presidência norte-americana em 2024.
Tarifa como instrumento político
No artigo, Paul Krugman afirma que a tarifa imposta por Trump é uma retaliação direta ao julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o economista, não há justificativas econômicas consistentes para a medida. “Repare que Trump mal finge ter uma justificativa econômica para essa ação. Tudo isso tem a ver com punir o Brasil por colocar Jair Bolsonaro em julgamento”, escreveu.
Para Krugman, a tentativa de usar a política comercial como ferramenta de coerção internacional representa uma ameaça democrática. “Trump realmente imagina que pode usar tarifas para intimidar uma nação enorme — que nem sequer depende muito do mercado americano — a abandonar a democracia?”, questiona o economista.
Reação do Brasil
Em resposta oficial à medida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que o Brasil não aceitará ser tutelado por nenhuma nação e que a imposição unilateral de tarifas será respondida com base na Lei da Reciprocidade Econômica. A nova tarifa está prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.
No mesmo documento que notificou o governo brasileiro, Trump alegou — sem apresentar provas — que a medida foi tomada “em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos”.
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Impacto econômico e institucional
Entidades do setor produtivo brasileiro demonstraram forte preocupação com a decisão. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a tarifa como “injustificada” e alertou que a medida pode afetar empregos e investimentos. O setor agropecuário também demonstrou temor quanto aos efeitos práticos da nova política tarifária sobre o escoamento de produtos brasileiros.
Apesar das alegações de Trump, dados históricos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam que o comércio exterior entre Brasil e EUA favorece amplamente os norte-americanos. Desde 1997, o superávit acumulado dos EUA nas trocas comerciais com o Brasil ultrapassa US$ 48 bilhões.
Democracia sob ameaça?
Para Krugman, a imposição da tarifa ultrapassa questões comerciais. Ele argumenta que o uso de barreiras tarifárias com motivação política representa mais um “passo terrível na espiral de decadência” dos EUA. Em tom crítico, afirmou ainda que essa conduta seria motivo suficiente para justificar um novo processo de impeachment contra Donald Trump.
“Agora, Trump está tentando usar tarifas para ajudar outro aspirante a ditador”, completou Krugman, referindo-se à possível tentativa de apoio a Bolsonaro por meios indiretos.
Sobre Paul Krugman
Paul Krugman é professor da City University of New York (CUNY) e colunista do The New York Times. Ele recebeu o Nobel de Economia em 2008 por suas contribuições aos estudos de comércio internacional e geografia econômica. Reconhecido por sua postura crítica às políticas populistas e autoritárias, Krugman tem se posicionado de forma firme contra o uso político de instrumentos econômicos.
Por: Mayara Leite – Estudante de Jornalismo do 5º semestre com revisão de Stefane Garcia, diretora de conteúdo
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