Política

Pazuello tratou vacina como se fosse a batata do quartel na CPI da Covid

Ex-ministro da Saúde disse na comissão que militares não ‘entram na negociação direta para compra de nenhum bem’.


O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello não entendeu até agora a diferença entre comprar vacinas durante a pandemia e adquirir sacos de batatas para garantir o purê da tropa.

Ao ser questionado na CPI da Covid pelo senador Ângelo Coronel por que não participou pessoalmente das tratativas para aquisição do imunizante, Pazuello atribuiu com orgulho à sua condição de militar.

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“Nós [militares] não entramos na negociação direta para compra de nenhum bem”, explicou.

Um general da Intendência, como Pazuello, não deve mesmo sentar-se à mesa para mercadejar a venda de batatas com seu Queiroz, dono da quitanda Jacaré, por exemplo.

O oficial da Intendência pode e deve delegar a missão para o escalão administrativo, preservando a impessoalidade da operação. Se der errado, tudo bem. Ninguém vai morrer porque não tem purê no almoço. Come arroz.

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Novos personagens
Agora, tire a quitanda do Jacaré e coloque em seu lugar a Pfizer, um dos maiores laboratórios do planeta. Troque a batata por uma vacina que o mundo inteiro estava correndo atrás. Só mantenha nesse enredo o general de Intendência Pazuello.

Resultado: o presidente da Pfizer para América Latina, Carlos Murillo, foi tratado como o seu Queiróz da quitanda Jacaré. O brasileiro ficou sem vacina e o arroz que Pazuello e seu governo ofereciam como alternativa não enchia a barriga. Era a clororoquina.

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E tem mais
Não para por aí. O senador Alessandro Vieira fez uma observação que incomodou Pazuello.

“O Primeiro-Ministro de Israel compreendeu o valor máximo da vida, acelerou as compras, negociou pessoalmente e conseguiu garantir que seu país fosse vacinado em grande proporção”.

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Incomodou porque Israel, ao lado de Rio das Pedras, é uma das referências para o bolsonarismo. (Sim, o presidente elogiou o comércio de Rio das Pedras , bairro carioca dominado pela milícia, por não ter fechado as portas durante a pandemia).

Alessandro Vieira quis entender o que emperrava a negociação com Pfizer. Pazuello estufou o peito e explicou:

“Fizemos pressão para mostrar que o Brasil não merecia aquele tipo de tratamento. Nós não somos um país caloteiro”, afirmou.

Alessandro lembrou que as condições da Pfizer para o Brasil eram idênticas às oferecidas para centenas de países.

“Isso aí é posição da Pfizer. O nosso País é um país soberano”, rebateu Pazuello.

De volta à quitanda
O blog volta à quitanda do Jacaré. É como se o Queiróz quisesse fazer rolo com os tubérculos e ainda estivesse tirando onda com a cara de Pazuello, insinuando que ele não era bom pagador e desfiando sua autoridade.

“O general não entendeu até hoje que a sua missão era salvar vidas. Ele acha que obedecer o chefe e cuidar dos custos era suficiente”, resume Alessandro Vieira, para quem Pauzello tem um conceito deformado de soberania e desrespeitou a “Constituição Federal brasileira, que coloca como valor máximo a defesa da vida. É valor máximo”.

Conclusão
Alessandro Vieira desenhou, na sessão desta quinta-feira (20), o relatório de Renan. Só não viu quem não quis. Ou estava ocupado, fazendo rolo com seu Queiróz.

E para quem achou que esse blog ia terminar com um “aos vencedores (no caso, aos perdedores) as batatas” se enganou. Missão cumprida.

Fonte: G1