PEC que limita poderes do STF é aprovada no Senado
Foram 52 votos a favor, e 18 votos contra nos dois turnos da votação.
- Foto: Divulgação
Em uma sessão marcada por intensos debates e reviravoltas, o Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (22), em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que impõe limitações aos poderes do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida contou com 52 votos a favor e 18 contra em ambas as votações, consolidando uma mudança significativa no cenário político brasileiro.
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A PEC em questão visa proibir decisões individuais de ministros que suspendam a eficácia de leis ou atos dos presidentes da República, da Câmara, do Senado e do Congresso Nacional. Como qualquer alteração constitucional, a proposta exigia aprovação em dois turnos, com um mínimo de 49 votos entre os 81 senadores.
Entre os partidos que se opuseram à matéria, destacam-se o Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Lula, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que integra a base de apoio do governo. O líder do PT no Senado, Fabiano Contarato (PT-ES), anunciou a posição contrária do partido, mas o líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA), desafiou a decisão partidária e votou a favor da PEC.
A votação crucial ocorreu na terça-feira (21), quando os senadores decidiram pela tramitação mais acelerada da PEC. Wagner, por sua vez, optou pela abstenção, deixando o cenário político ainda mais imprevisível.
Uma reviravolta surpreendente veio do Partido Social Democrático (PSD), que inicialmente se posicionou contrário à rapidez na votação da PEC. No entanto, na quarta-feira, a bancada foi liberada, permitindo que cada parlamentar escolhesse seu voto. A mudança foi motivada pela retirada, a pedido do líder do partido, Otto Alencar (PSD-BA), de uma regra que modificava a tramitação dos pedidos de vistas apresentados pelos ministros do STF.
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A revisão da regra foi conduzida pelo relator, senador Esperidião Amin (PP-SC), levando os senadores do PSD da Bahia a alterarem seus votos, votando favoravelmente à PEC. Além da Bahia, as bancadas dos estados do Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo também se mostraram favoráveis à proposta.
Mudanças de voto marcaram o desenrolar da sessão, com cinco senadores alterando suas posições em relação à votação anterior. O governo também mobilizou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD-MT), na tentativa de reverter a decisão. Na terça-feira, sua suplente, Margareth Buzetti (PSD-MT), votou a favor, indicando uma possível inclinação favorável também por parte do ministro.
Contudo, dois senadores ligados à base governista, que votaram a favor da aceleração da proposta na terça, deixaram de votar nesta quarta, mesmo estando presentes em plenário. O senador de oposição, Romário (PL-RJ), que não votou na terça, mostrou-se contrário à PEC.
Por outro lado, a senadora Daniela Ribeiro (PSD-PB) e o senador Welington Fagundes (PL-MT), que também não votaram na terça, foram favoráveis à PEC. Dois senadores, Omar Aziz (PSD-AM) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), não votaram em ambas as ocasiões, mantendo uma incógnita sobre suas posições em relação à proposta.
A aprovação da PEC representa um marco significativo no equilíbrio de poderes no país e promete desencadear debates intensos sobre a independência do Judiciário e o papel do Senado na supervisão dessas questões. O desfecho dessa votação sem dúvida reverberará nos corredores do Congresso Nacional e nas discussões políticas em todo o Brasil.
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