- Foto:Reprodução/Auriverde Brasil
A Procuradoria-Geral da República (PGR) está finalizando a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pode solicitar uma pena de até 28 anos de prisão. A informação foi divulgada pela jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo que também aponta que a denúncia será apresentada antes do Carnaval e deve focar inicialmente na acusação de que Bolsonaro liderou uma organização criminosa com o objetivo de tentar um golpe de Estado no Brasil.
A base da denúncia é o relatório da Polícia Federal (PF), que concluiu que o ex-presidente comandou um grupo criminoso cujo objetivo era impedir a posse e o exercício do governo eleito. Bolsonaro foi indiciado em três artigos distintos, cujas penas somadas podem atingir 28 anos de prisão, caso receba a condenação máxima.
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Os crimes atribuídos ao ex-presidente são:
– Artigo 2º da Lei 12.850/2013: integrar, promover ou financiar organização criminosa (pena de 3 a 8 anos de prisão).
– Artigo 359-L do Código Penal: tentar abolir o Estado Democrático de Direito por meio de violência ou grave ameaça (pena de 4 a 8 anos).
– Artigo 359-M do Código Penal: tentar depor, por meio de violência ou grave ameaça, um governo legitimamente constituído (pena de 4 a 12 anos).
Se PGR pedir as penas mínimas, Bolsonaro poderia ser condenado a 11 anos de prisão. No entanto, aliados do ex-presidente temem que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicite punições mais severas, especialmente considerando que outros envolvidos nos atos de 8 de janeiro foram sentenciados a até 17 anos de prisão.
A Folha de S.Paulo também informou que a denúncia será robusta e contará com um vasto conjunto de documentos e depoimentos que sustentam a acusação de tentativa de golpe. A estratégia da PGR é apresentar a denúncia contra Bolsonaro separadamente das investigações sobre o desvio de joias e a fraude nos cartões de vacina, que devem ser tratadas em um segundo momento.
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Impacto político e jurídico
A denúncia contra Bolsonaro pode ter repercussões significativas tanto no cenário político quanto no jurídico. Caso a denúncia seja aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente se tornará réu, o que pode agravar ainda mais sua situação jurídica. Além disso, essa ação pode influenciar o futuro político de Bolsonaro e do Partido Liberal (PL), do qual faz parte.
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A defesa do ex-presidente nega as acusações e sustenta que não há provas de sua participação em qualquer tentativa de golpe. No entanto, as investigações da Polícia Federal apontam que Bolsonaro e seus aliados tentaram interferir na posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, além de propagar desinformação sobre o processo eleitoral e incentivar manifestações antidemocráticas.
Expectativa para os próximos passos
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Com a denúncia iminente, o Supremo Tribunal Federal será responsável por decidir se aceita ou não a peça apresentada pela PGR. Caso seja aceita, Bolsonaro responderá judicialmente pelos crimes apontados. Além disso, há a possibilidade de que novos desdobramentos surjam conforme avançam as investigações sobre os outros casos envolvendo o ex-presidente.
O ambiente político segue tenso, com apoiadores e opositores de Bolsonaro acompanhando de perto os desdobramentos. Enquanto aliados do ex-presidente falam em perseguição política, setores da sociedade civil e especialistas jurídicos defendem a necessidade de responsabilização caso as acusações se confirmem.