Plínio Valério questiona licitação milionária do ICMBio vencida por empresário ligado a Marina Silva
Para Plínio, o episódio reforça o que considera ser um padrão de condutas questionáveis dentro do governo.
Notícias de Política – O senador Plínio Valério (PSDB-AM) exigiu esclarecimentos do Ministério do Meio Ambiente sobre um possível caso de conflito de interesses envolvendo a concessão de serviços turísticos no Parque Nacional de Jericoacoara, no Ceará. Em discurso no Senado, o parlamentar denunciou que a empresa vencedora da licitação, controlada pelo empresário Roberto Capobianco, é ligada diretamente ao secretário-executivo da pasta, João Paulo Capobianco — seu irmão e braço direito da ministra Marina Silva.
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A concessão, autorizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), prevê um investimento de R$ 116 milhões em infraestrutura e garante à empresa o direito de explorar atividades turísticas na região por 30 anos. O ICMBio, responsável pela gestão de unidades de conservação federais, é subordinado justamente à secretaria comandada por João Paulo Capobianco.
“O irmão do número dois do ministério — o mesmo que nos recebe com arrogância — está faturando alto com uma concessão milionária para explorar uma das maiores joias do turismo brasileiro”, afirmou Plínio. “Queremos saber como foi feita essa licitação e quais critérios foram adotados.”
O senador anunciou que pretende convocar João Paulo Capobianco e o presidente do ICMBio, Mauro Pires, para prestar depoimento no Senado. Plínio também lembrou o histórico da Construcap, empresa vinculada aos Capobianco, que foi investigada na 31ª fase da Operação Lava Jato, conhecida como Abismo. Na ocasião, os irmãos Roberto e Eduardo Capobianco chegaram a ser presos, suspeitos de envolvimento em um esquema de pagamento de R$ 39 milhões em propina relacionado a contratos com a Petrobras.
“É preciso passar isso a limpo. O ICMBio, que já teve episódios de repressão a pequenos produtores em nome da preservação ambiental, agora entrega um contrato milionário para parentes diretos do alto escalão do ministério”, criticou o senador.
Para Plínio, o episódio reforça o que considera ser um padrão de condutas questionáveis dentro do governo na área ambiental. “O que vimos na CPI das ONGs já foi alarmante. Agora, mais um capítulo dessa hipocrisia ambientalista que penaliza os pequenos e beneficia os grandes. Isso não pode ser tratado como algo normal. É preciso investigar.”
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