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Política

Projeto de Alberto Neto beneficia farmacêutica estrangeira e ameaça acesso mais barato ao Ozempic no Brasil

Proposta pode beneficiar gigante farmacêutica em detrimento do interesse público.

Por Natan AMPOST

29/01/2026 às 12:09 - Atualizado em 25/05/2026 às 14:55

Resumo

Projeto relatado pelo deputado Capitão Alberto Neto pode beneficiar a farmacêutica Novo Nordisk ao tentar prorrogar a patente do Ozempic no Brasil. Indústria nacional aponta possível lobby e alerta para impacto nos preços, no SUS e no acesso a medicamentos.

Notícias de política – A proximidade do vencimento da patente do Ozempic no Brasil acendeu uma disputa entre multinacionais e farmacêuticas nacionais — e colocou o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM) no centro de um debate marcado por suspeitas de lobby e favorecimento empresarial. O parlamentar é um dos autores do projeto de lei 5810/2025, que pode prorrogar em até cinco anos os direitos de exclusividade de patentes, incluindo a do medicamento usado no tratamento do diabetes e amplamente consumido para emagrecimento. A informação foi divulgada em reportagem da Folha de S.Paulo.

A proposta surge em um momento estratégico para a Novo Nordisk, farmacêutica dinamarquesa dona da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy. A empresa teve receita global de US$ 28 bilhões em 2024 com esses produtos e tenta evitar a entrada de versões genéricas no mercado brasileiro após o vencimento da patente previsto para março.

Projeto pode beneficiar multinacional e travar genéricos

O texto defendido por Alberto Neto prevê a extensão do prazo de patentes sempre que houver “atraso comprovado” na análise do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). Na prática, isso pode manter o monopólio de grandes farmacêuticas estrangeiras por mais tempo, impedindo que laboratórios nacionais lancem versões mais baratas para a popualção.

Fabricantes brasileiras, reunidas no Grupo FarmaBrasil, veem a proposta como um risco direto ao acesso da população a medicamentos mais acessíveis. Segundo o setor, a prorrogação pode afetar não apenas o Ozempic, mas também remédios de alto custo usados no tratamento de câncer, doenças autoimunes e outras condições crônicas.

A vice-presidente do grupo, Adriana Diaféria, afirma que a medida pode elevar os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) e pressionar ainda mais o orçamento público. “Quem perde com essa extensão de exclusividade é o cidadão e o SUS, que já enfrenta um cenário financeiro crítico”, alertou.

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Suspeita de lobby e tramitação acelerada

A movimentação em torno do projeto tem gerado questionamentos sobre possível lobby da indústria farmacêutica no Congresso. A proposta recebeu requerimento de urgência assinado por lideranças partidárias, o que pode permitir que o texto vá direto ao plenário, sem passar por audiências públicas ou debates aprofundados em comissões técnicas.

Para críticos, o ritmo acelerado da tramitação e o alinhamento com os interesses da Novo Nordisk levantam suspeitas sobre a influência de grupos econômicos na formulação da proposta — especialmente diante do histórico recente da empresa, que tentou estender a validade da patente pela via judicial e teve o pedido barrado pelo Superior Tribunal de Justiça.

Argumentos jurídicos contestados pelo Inpi

A Novo Nordisk sustenta que atrasos na análise do pedido de patente pelo Inpi justificariam a prorrogação do prazo de exclusividade. A empresa afirma que o órgão levou quase 13 anos para conceder o registro, após solicitação feita em 2006.

O Inpi, no entanto, rebate esse argumento e destaca que a legislação brasileira garante proteção desde a data do pedido da patente, permitindo inclusive indenizações retroativas em caso de uso indevido. Segundo o instituto, a prorrogação de patentes já foi rejeitada em mais de 30 decisões judiciais, incluindo julgamentos do STF e do STJ.

Para especialistas, a tentativa de reverter esse entendimento por meio do Legislativo pode representar um atalho político após derrotas no Judiciário — e reforçar a percepção de pressão corporativa nos bastidores do Congresso.

Impacto para consumidores e sistema de saúde

Caso o projeto avance, a entrada de versões genéricas do Ozempic pode ser adiada, mantendo preços elevados e restringindo o acesso de pacientes ao tratamento. Farmacêuticas nacionais, como a EMS, já manifestaram interesse em produzir alternativas mais baratas, mas dependem do fim da patente para iniciar a comercialização.

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Além do impacto direto no bolso dos consumidores, a medida pode ampliar os gastos do SUS com medicamentos de alto custo, dificultando políticas públicas voltadas à ampliação do acesso à saúde.

Debate expõe atuação política sob questionamento

A autoria do projeto por Alberto Neto intensifica o debate sobre o papel de parlamentares na defesa de interesses empresariais sensíveis. Para críticos, a iniciativa pode ser interpretada como uma tentativa de atender demandas de grandes corporações em detrimento do interesse público, especialmente em um setor estratégico como o da saúde.

Enquanto a Novo Nordisk defende que a proposta fortalece a inovação e a segurança jurídica, setores da indústria nacional e órgãos públicos alertam para o risco de criar privilégios, elevar preços e atrasar a concorrência.

O projeto segue em tramitação e deve se tornar um dos principais pontos de embate entre a indústria farmacêutica, o Congresso Nacional e defensores do acesso amplo a medicamentos no Brasil.

Outro lado

A reportagem do Portal AM POST procurou a assessoria do deputado federal Alberto Neto que por meio de nota afirma que o PL 5.810/2025 não favorece empresas específicas nem cria prorrogação automática de patentes, rebatendo acusações de lobby e privilégio à indústria farmacêutica.

Segundo o parlamentar, a proposta tem caráter geral e busca corrigir atrasos históricos do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), criando um mecanismo excepcional para compensar demoras do Estado na análise de patentes, com limite máximo de cinco anos.

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“O que o PL faz é simples e justo: se o Estado atrasar além do razoável, esse tempo não pode ser descontado de quem inovou. O projeto surge para corrigir a insegurança jurídica gerada após a decisão do STF na ADI 5.529, que extinguiu o mecanismo anterior sem criar alternativa legal, afetando a previsibilidade e os investimentos em pesquisa e desenvolvimento no Brasil”, diz trecho da nota.

Alberto Neto sustenta que o projeto não encarece medicamentos, não impede a entrada de genéricos e visa fortalecer a inovação no Brasil, estimulando investimentos em pesquisa, tecnologia e desenvolvimento industrial. Ele também afirma que o texto segue padrões internacionais e nega qualquer atuação de lobistas ou atendimento a interesses empresariais específicos, defendendo que a medida amplia a segurança jurídica e contribui para tornar o país mais competitivo e atrativo para inovação.

Leia nota completa:

Ao contrário do que vem sendo disseminado, o PL 5.810/2025 não é direcionado a nenhum medicamento ou empresa específica e não cria prorrogação automática de patentes. O PL NÃO defende empresa A, B ou C, NÃO cria privilégio, NÃO encarece medicamento e NÃO impede genérico.

Esse não é um projeto só sobre saúde: é sobre inovação no Brasil inteiro – indústria, agro, tecnologia e também medicamentos. Atualmente, o Brasil é um dos países mais lentos do mundo para examinar patentes. Enquanto EUA, Europa e China levam de dois a quatro anos, aqui o processo pode ultrapassar 10 anos.

A proposta institui um procedimento administrativo no Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI, para ajuste excepcional e proporcional do prazo de patentes apenas quando houver atraso comprovado não imputável ao titular, com limite máximo de cinco anos.

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Hoje, a lei garante 20 anos de patente, mas o Estado consome quase metade desse tempo parado no INPI. Quando o Estado atrasa esse processo, quem paga a conta é o povo. Sem pesquisa, não há medicamento novo. Sem medicamento novo, não há genérico amanhã. Sem inovação, não há acesso nem competitividade.

O que o PL faz é simples e justo: se o Estado atrasar além do razoável, esse tempo não pode ser descontado de quem inovou. O projeto surge para corrigir a insegurança jurídica gerada após a decisão do STF na ADI 5.529, que extinguiu o mecanismo anterior sem criar alternativa legal, afetando a previsibilidade e os investimentos em pesquisa e desenvolvimento no Brasil.

Cabe esclarecer que não houve e não há, em nenhum momento, atuação de lobistas ou atendimento a interesses empresariais específicos. O texto tem fundamentação jurídica, critérios objetivos e aplicação geral, seguindo práticas internacionais adotadas por Estados Unidos, China e União Europeia.

A proposta não impede a entrada de genéricos de forma indiscriminada e não trata de políticas de preços ou compras públicas. Ser contra o projeto, na prática, é dizer ao mundo: “não pesquisem no Brasil, não invistam aqui, não tragam tecnologia para cá”.

A postura do deputado federal Capitão Alberto Neto é exatamente oposta, o parlamentar trabalha fortemente em defesa de um Brasil que, agora e no futuro, produza, inove, gere emprego, barateie custos e garanta remédio acessível, novas tecnologias e inovação, com política pública séria e previsível.

Assessoria de Comunicação
Deputado Federal Capitão Alberto Neto (PL-AM)

*Com informações da Folha de S.Paulo

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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