Salazar aposta em vídeos e ataques nas redes sociais enquanto sua atuação legislativa passa despercebida
De vereador mais votado a influenciador digital: Salazar acumula engajamento, mas entrega pouco mandato.
- Foto: reprodução
Notícias de política – Eleito como o vereador mais votado de Manaus nas eleições de 2024, com 22.594 votos, Alexandre da Silva Salazar, conhecido como Sargento Salazar (PL), chegou à Câmara Municipal de Manaus (CMM) cercado de expectativa. Um ano depois da posse, porém, a avaliação de sua atuação parlamentar aponta para um mandato marcado mais por performance digital do que por resultados concretos no Legislativo.
Mais influenciador do que parlamentar
Com cerca de 1 milhão de seguidores no Instagram, Salazar consolidou sua imagem nas redes sociais antes mesmo de assumir o cargo. O problema, segundo observadores da atividade legislativa, é que esse protagonismo virtual não se converteu em presença efetiva no plenário. Ao longo do último ano, não há registros de pronunciamentos consistentes na tribuna, debates técnicos ou proposições relevantes apresentadas pelo vereador influencer.
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O conteúdo predominante em suas redes segue uma linha de vídeos curtos, humorísticos ou de ataque político, especialmente direcionados à gestão do prefeito de Manaus David Almeida (Avante). O formato garante engajamento, mas pouco acrescenta ao debate institucional ou à resolução de problemas enfrentados pela população.
Tribuna vazia, propostas ausentes
A baixa visibilidade de Salazar na tribuna da CMM é um dos pontos mais criticados. Acompanhando as sessões legislativas, não se observam intervenções frequentes com críticas técnicas, requerimentos estruturados ou projetos de lei de impacto. O mandato carece de densidade política: faltam formulação, aprofundamento e atuação compatível com o peso da votação que o elegeu.
Na prática, o vereador parece optar por um “ambiente controlado” — as redes sociais — onde define a pauta, o enquadramento e o tom do discurso, sem o contraditório natural do plenário. Essa escolha reduz o alcance institucional do mandato e esvazia o papel fiscalizador e legislador que se espera de um vereador.
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Críticas sem construção
Criticar o Executivo é parte legítima da função parlamentar. O problema surge quando a crítica não vem acompanhada de propostas, soluções ou articulação política. Até aqui, a atuação de Salazar se resume, majoritariamente, a ataques genéricos nas redes, sem desdobramentos práticos no Legislativo municipal. Não há acúmulo de iniciativas que indiquem trabalho continuado em comissões, audiências públicas ou construção de consensos.
Régua mais alta para 2026
Para quem manifesta intenção de disputar um mandato federal em 2026, a exigência é outra. O cargo de deputado federal demanda formulação programática, capacidade de articulação e domínio das atribuições institucionais. Menos clipe curto, mais conteúdo de plenário. Menos engajamento fácil, mais trabalho técnico.
Atacar a gestão municipal nas redes não é parâmetro suficiente para medir a disposição nem a capacidade de enfrentar o Governo Federal, tarefa típica de um parlamentar alinhado à direita no Congresso Nacional.
Visibilidade não substitui mandato
O direito à comunicação digital é inquestionável e faz parte da política contemporânea. Mas o eleitor que deu a Salazar a maior votação da cidade tem o direito e o dever de cobrar equilíbrio entre visibilidade e trabalho legislativo. Likes não votam projetos, reels não fiscalizam contratos e seguidores não substituem atuação parlamentar.
Após um ano de mandato, a crítica central é clara: Salazar transformou o plenário em coadjuvante e fez das redes o palco principal. Para quem prometeu mudança, a entrega até aqui é pífia.
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