Senadores pedem CPI e impeachment contra Alexandre de Moraes após vazamento de mensagens
A iniciativa ocorre em resposta às revelações de que o TSE sob a coordenação de Moraes, teria realizado investigações extraoficiais sobre bolsonaristas.
- Foto: Reprodução
Em um movimento que sinaliza uma escalada nas tensões entre o Legislativo e o Judiciário, senadores aliados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) manifestaram, nesta terça-feira (13), o desejo de instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e de solicitar o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A iniciativa ocorre em resposta às revelações de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob a coordenação de Moraes, teria realizado investigações extraoficiais sobre bolsonaristas.
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A polêmica ganhou força após a divulgação de mensagens e arquivos trocados entre Moraes, seus auxiliares e outros integrantes de sua equipe, que apontam para a solicitação informal de relatórios pelo gabinete do ministro em pelo menos 20 ocasiões. As informações, publicadas pela Folha de S.Paulo, indicam que essas ações foram conduzidas pelo setor de combate à desinformação da Justiça Eleitoral, sem a formalidade de um processo oficial.
Diante dessas revelações, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) se destacou como um dos principais críticos de Moraes, afirmando que já iniciou a coleta de assinaturas para solicitar o impeachment do ministro. Em um discurso durante coletiva de imprensa, Girão anunciou que o requerimento será formalmente apresentado após o Dia da Independência, em 7 de setembro. “É surreal o que estamos vendo no Brasil. Amanhã quero pedir à população que assista a uma coletiva na frente da Presidência do Senado. Precisamos ler os pontos e começar uma super campanha de impeachment, um pedido robusto”, declarou o senador, conclamando os brasileiros a se mobilizarem em apoio à sua causa.
Outro parlamentar que se uniu à iniciativa foi o senador Cleitinho (Republicanos-MG), que acusou Moraes de “perseguição” e defendeu a criação da “CPI da Vaza toga”, em alusão à Vaza Jato, série de reportagens que revelou métodos controversos da operação Lava Jato. Para Cleitinho, as ações de Moraes representam uma ameaça à democracia e precisam ser investigadas a fundo. “Não podemos aceitar que um ministro do STF atue de forma autoritária e à margem da lei. O Brasil precisa saber a verdade sobre essas investigações secretas”, afirmou.
Além dos pedidos de CPI e impeachment, os senadores bolsonaristas também tomaram medidas concretas no âmbito legislativo. Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, foram protocolados requerimentos para convocar figuras-chave envolvidas nas supostas investigações extraoficiais. Entre os alvos estão o juiz instrutor do STF Airton Vieira e o ex-chefe de assessoria do TSE Eduardo Tagliaferro, ambos mencionados nas mensagens reveladas. Além disso, os autores da reportagem da Folha de S.Paulo, os jornalistas Fabio Serapião e Glenn Greenwald, também foram convocados para prestar esclarecimentos.
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