Silas Câmara e familiares são citados na CPMI do INSS por recebimento de dinheiro da CBPA por meio de empresa
No final da sessão o presidente da CBPA, Abraão Lincoln, foi preso por falso testemunho.
- Silas Câmara, Abraão Lincoln e Jônatas Câmara – Foto: reprodução
Notícias de política – A família Câmara foi mencionada nesta segunda-feira (3) durante sessão da CPMI do INSS, em Brasília, que ouviu o presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Lincoln Ferreira. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), apontou indícios de repasses feitos pela confederação a empresas ligadas ao deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) e a seus familiares.
Segundo o relator, a empresa Network teria recebido valores expressivos da CBPA e, em seguida, repassado parte do dinheiro para pessoas próximas ao parlamentar. Gaspar detalhou transferências que, de acordo com ele, envolvem Jônatas Câmara, Heber Tavares Câmara e Milena Câmara, todos parentes de Silas.
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“Mandou R$ 1,9 milhão para a empresa e a empresa mandou R$ 11 mil para a Fundação Boas Novas, que é de Jônatas Câmara. A empresa que o senhor mandou R$ 1,9 milhão mandou R$ 37 mil para Heber Tavares Câmara. R$ 9 mil dessa empresa veio para a conta do senhor Silas Câmara. O senhor conhece Silas Câmara?”, questionou Gaspar durante o depoimento. Abraão Lincoln respondeu afirmativamente.
Em outro momento, Gaspar perguntou se Abraão Lincoln teria visitado o Palácio do Planalto ou o Ministério da Previdência Social acompanhado de Silas Câmara, ao que o depoente respondeu: “Permaneço em silêncio.”
Abraão não esclareceu os serviços prestados, mas afirmou que Milena, filha de Silas Câmara, trabalha como advogada da CBPA.
Gaspar afirmou que não poderia deixar de registrar que toda a família terminou recebendo recursos dessa CBPA através de algumas empresas.
“Jônatas Câmara é irmão do deputado Silas Câmara, que me prove o contrário é uma pessoa decente, mas eu não podia deixar de trazer aqui que toda a família terminou recebendo recursos dessa CBPA através de algumas empresas que levantam muitas suspeitas”, destacou Alfredo.
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A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) criticou a postura do depoente, afirmando que ele estaria “blindando poderosos”.
“O senhor está blindando poderosos, parlamentares e outras pessoas que, sinceramente, se o senhor pensasse um pouco no futuro do seu neto, o senhor não protegeria desse jeito”, declarou.
Ao final da oitiva, o presidente da CBPA foi preso por falso testemunho. O pedido partiu do relator Alfredo Gaspar e foi acolhido pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana, que justificou a decisão afirmando que o depoente, na condição de testemunha, “fez afirmação falsa, negou ou calou a verdade”.
Outro lado
Após repercussão negativa da revelação da CPMI do INSS, Silas Câmara se manifestou em nota nas redes sociais repudiando as menções feitas a ele e sua família na sessão.
“Deixo claro que não existe nenhuma irregularidade envolvendo a mim e minha família”, disse.
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