“Só pilantra anda com maços de dinheiro vivo hoje em dia”, diz Guedes ao defender cassação de Rosinaldo Bual
Vereador afirma que o Legislativo precisa reagir e pede cassação de colega preso em operação do Gaeco por suspeita de “rachadinha”.
- Foto: Reprodução
O vereador Rodrigo Guedes se posicionou sobre a prisão do também vereador Rosinaldo Bual (Agir), detido na última sexta-feira (3) durante a Operação Face Oculta, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Amazonas (MPAM). Bual é suspeito de comandar um esquema de “rachadinha”, prática em que servidores públicos são obrigados a devolver parte de seus salários a políticos — o que configura desvio de recursos públicos.
Durante entrevista à imprensa nesta segunda-feira (6), Guedes foi enfático ao defender a cassação imediata do mandato de Bual, argumentando que o caso não pode ser tratado com complacência.
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“Acho que cabe cassação e não existe outra alternativa. Espero realmente que os vereadores da base não tentem segurar ou empurrar isso com a barriga. A Câmara precisa dar uma resposta à sociedade”, afirmou.
De acordo com as investigações, durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os agentes do Gaeco encontraram três cofres pertencentes a Bual — um em sua casa, outro na residência da mãe e o terceiro em um sítio de sua propriedade. O parlamentar se recusou a fornecer as senhas, e os cofres precisaram ser abertos com apoio do Corpo de Bombeiros.
No interior de um deles, foram localizados R$ 390 mil em espécie, dois cheques que somavam mais de R$ 500 mil, além de documentos e passaportes. O Ministério Público apura a origem dos valores e suspeita de movimentações financeiras incompatíveis com a renda do vereador.
Rodrigo Guedes usou o episódio do dinheiro vivo para questionar a conduta do colega e reforçar a necessidade de uma investigação exemplar.
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“Quem é que anda com dinheiro vivo hoje em dia? Só pilantra, só bandido, na verdade. Porque quem tem dinheiro limpo não guarda maços de notas em cofre. A Câmara não pode tolerar esse tipo de comportamento. Aqui o julgamento é político, de decoro parlamentar, e não pode haver silêncio diante de um escândalo desses”, declarou.
O vereador afirmou ainda que entidades da sociedade civil devem apresentar um pedido formal de cassação contra Bual e que, caso isso não ocorra, ele mesmo se prontifica a fazê-lo.
“Acredito que hoje uma entidade vai protocolar esse pedido. Se isso se confirmar, a gente precisa julgar imediatamente. E, se ninguém fizer, cabe a mim ou a qualquer outro vereador tomar essa iniciativa”, disse.
Rodrigo Guedes também criticou a permanência de benefícios concedidos ao vereador preso, destacando que, mesmo sob custódia, ele continua recebendo salário e contando com estrutura de gabinete.
“Eu não quero fazer parte de nenhum tipo de acordo. Até porque ele está preso, mas continua recebendo salário, tem verba de gabinete, tem Cotão. Isso é um absurdo”, concluiu o parlamentar.
A Operação Face Oculta continua em andamento e investiga indícios de corrupção e desvio de dinheiro público envolvendo assessores e servidores lotados no gabinete de Rosinaldo Bual. O caso deve ser encaminhado à Comissão de Ética, que, após provocação formal da Mesa Diretora, terá 30 dias para apresentar um parecer sobre a conduta do parlamentar.
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