Trump defende Bolsonaro e critica ações da Justiça brasileira
Presidente dos EUA afirma que Bolsonaro é vítima de perseguição e promete acompanhar o caso de perto. Planalto rebate e afirma: “Somos um país soberano”.

Trump defende Bolsonaro e critica ações da Justiça brasileira – Foto: Wikimedia
Política – Nesta segunda-feira (7), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou sua rede social Truth Social para sair em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado em 2022. Segundo Trump, o ex-mandatário brasileiro está sendo alvo de uma “caça às bruxas”.
“O grande povo do Brasil não vai tolerar o que estão fazendo com seu ex-presidente”, afirmou Trump na publicação. “Vou acompanhar muito de perto essa caça às bruxas contra Jair Bolsonaro, sua família e milhares de seus apoiadores”, completou. A publicação foi reproduzida pelo portal G1.
Embora não tenha citado diretamente os processos judiciais em curso, Trump classificou a atuação da Justiça brasileira como “terrível” e disse que Bolsonaro “não é culpado de nada”. A declaração provocou reações imediatas no Brasil.
Palácio do Planalto responde: “Tema que compete aos brasileiros”
Em nota oficial assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Palácio do Planalto respondeu à declaração de Trump, reafirmando a soberania do país e o papel das instituições democráticas brasileiras.
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“A defesa da democracia no Brasil é um tema que compete aos brasileiros. Somos um país soberano. Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja”, afirmou o governo, segundo o G1. “Possuímos instituições sólidas e independentes. Ninguém está acima da lei. Sobretudo, os que atentam contra a liberdade e o Estado de Direito”, conclui a nota.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também reagiu de forma crítica ao posicionamento do presidente norte-americano. Segundo ela, Trump deveria “cuidar dos seus próprios problemas” e está “muito equivocado se pensa que pode interferir no processo judicial brasileiro”.
Bolsonaro agradece o apoio e compara sua situação à de Trump
Após a publicação, Bolsonaro agradeceu publicamente ao apoio de Trump, a quem chamou de “ilustre presidente e amigo”. O ex-presidente afirmou que o norte-americano também foi vítima de perseguições semelhantes e que ambos foram alvo de ações implacáveis.
Vale lembrar que Bolsonaro foi declarado inelegível por oito anos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após dois julgamentos em 2023. A Justiça entendeu que o ex-presidente cometeu abuso de poder político ao fazer declarações infundadas sobre o sistema eleitoral brasileiro durante uma reunião com embaixadores, em julho de 2022 — evento transmitido pela TV oficial do governo.
Eduardo Bolsonaro nos EUA e investigações em curso
Atualmente, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, reside nos Estados Unidos. De acordo com o G1, ele tem concedido entrevistas e feito postagens nas redes sociais alegando perseguição política. Em maio, passou a ser investigado por supostamente articular junto a parlamentares norte-americanos sanções contra integrantes do STF brasileiro, especialmente o ministro Alexandre de Moraes.
Entre seus interlocutores, está o deputado republicano Cory Mills, da Flórida, que chegou a acusar o Brasil de sofrer um “alarmante declínio dos direitos humanos” durante audiência no Capitólio.
Bolsonaro é réu por tentativa de golpe
O ex-presidente Jair Bolsonaro se tornou réu em março de 2025, após decisão unânime da Primeira Turma do STF. Ele e outros sete aliados foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por envolvimento em uma tentativa de golpe para mantê-lo no poder após a derrota nas eleições de 2022.
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No último depoimento, Bolsonaro negou as acusações, alegou exageros na retórica contra o sistema eleitoral, mas afirmou que não participou de nenhum plano ilegal. A ação penal está na fase final de alegações e deve ser julgada ainda este ano.
Até o momento, 497 pessoas foram condenadas pelo STF por envolvimento nos atos golpistas, segundo levantamento do G1. Entre os crimes estão: golpe de Estado, dano qualificado, abolição do estado democrático de direito, deterioração do patrimônio público e associação criminosa.
Comentários de Trump reacendem tensões diplomáticas
Esta não é a primeira vez que Donald Trump se manifesta sobre processos judiciais de aliados internacionais. Recentemente, o presidente norte-americano também criticou o sistema de Justiça de Israel, alegando que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu estaria sofrendo uma “caça às bruxas” semelhante à que, segundo ele, enfrentam outros líderes conservadores.
As falas de Trump colocam os Estados Unidos novamente no centro de um debate internacional sobre soberania jurídica e influência política entre nações.
As declarações de Donald Trump em defesa de Jair Bolsonaro levantam uma série de reflexões: até que ponto um líder estrangeiro pode se manifestar sobre decisões judiciais de outro país? Trata-se apenas de apoio político entre aliados ou uma tentativa de interferência nas instituições brasileiras?
A resposta do governo Lula foi clara: o Brasil é um país soberano e não aceita intromissões externas. Ainda assim, os efeitos diplomáticos desse episódio poderão ser sentidos nos próximos meses, especialmente no cenário eleitoral de ambos os países.
Por: Mayara Leite – Estudante de Jornalismo 5º semestre.
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