Pacientes de câncer com origem em HPV sofrem com atraso no atendimento
Pesquisa mostra que maioria é tratada mais de 60 dias após diagnóstico.
- Foto: Divulgação
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A quarta edição da publicação info.oncollect, intitulada O Impacto do HPV em Diferentes Tipos de Câncer no Brasil, realizada pela Fundação do Câncer, revela que a maioria dos pacientes diagnosticados com cânceres relacionados ao HPV (Papilomavírus Humano) no Brasil enfrenta a demora no início do tratamento, indo de encontro à legislação que prevê a intervenção médica em até 60 dias após a constatação da doença.
O estudo, que abrange cinco tipos de câncer: orofaringe, ânus e canal anal, vagina, vulva e pênis, aponta que a demora no tratamento indica falhas no sistema de atendimento médico e destaca a chegada tardia dos pacientes às unidades de saúde, muitas vezes em estágios avançados da doença.
Segundo o levantamento, aproximadamente 6 mil casos de câncer relacionados ao HPV poderiam ser evitados anualmente por meio da prevenção primária. Além disso, estima-se que ocorram 17 mil casos de câncer do colo do útero, o tipo mais comum associado ao HPV, anualmente no país.
A consultora médica da Fundação do Câncer, Flávia Miranda, ressalta que a demora no diagnóstico e tratamento está relacionada a diversos fatores, incluindo a falta de sensibilidade na busca por atendimento e a morosidade na confirmação dos casos, especialmente no que diz respeito a biópsias e exames histopatológicos.
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Economicamente, o estudo destaca que a prevenção desses cânceres poderia resultar em significativa redução nos gastos com saúde no Brasil. Além de evitar aproximadamente 4,5 mil mortes anuais, a prevenção contribuiria para a realocação de recursos em outros tratamentos médicos.
Flávia Miranda enfatiza a importância da vacinação contra o HPV como medida preventiva e destaca a necessidade de esclarecimento e educação para combater resistências e desinformações sobre a vacina. Ela destaca que a vacinação não promove o início precoce da atividade sexual, como erroneamente sugerido por críticos, mas sim contribui para práticas sexuais mais seguras.
O estudo reforça a importância da detecção precoce, do acesso rápido e igualitário aos cuidados de saúde e destaca a necessidade de políticas públicas específicas e intervenções direcionadas, considerando as disparidades regionais. A publicação visa orientar a formulação de estratégias para garantir melhores resultados no tratamento desses cânceres.

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