Paracetamol na gravidez causa autismo? O que os maiores estudos dizem
Alegações recentes e reação da comunidade científica

Paracetamol na gravidez causa autismo? O que os maiores estudos dizem – Foto: freepik
Saúde – Recentemente, surgiram afirmações de que o uso de paracetamol durante a gestação poderia causar autismo em crianças. A declaração ganhou visibilidade após declarações políticas e um alerta regulatório nos Estados Unidos. Entretanto, especialistas médicos, organizações internacionais de saúde e agências reguladoras destacam que não há evidência científica suficiente para confirmar essa relação causal.
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O que mostram os grandes estudos
Diversos estudos investigaram a possibilidade de uma associação entre o paracetamol usado por gestantes e diagnósticos de autismo ou TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade). Um dos mais abrangentes, de 2024, analisou quase 2,5 milhões de crianças nascidas na Suécia entre 1995 e 2019. Comparou dados sobre prescrições, automedicação e diagnósticos. O resultado apontou diferença muito pequena nos índices: cerca de 1,53% entre os expostos versus 1,33% entre os não expostos.
Quando esse estudo fez a análise entre irmãos — uma técnica que ajuda a controlar fatores genéticos e de ambiente familiar — essa diferença desapareceu, sugerindo que os fatores observados podem ser resultado de outros elementos que não o uso do remédio. Outro estudo feito no Japão com cerca de 200 mil crianças também usou o método entre irmãos e obteve resultados semelhantes.
Limitações e vieses que complicam conclusões
O principal desafio desses estudos é que o paracetamol é um medicamento de uso comum, muitas vezes tomado sem prescrição, e com relatos imprecisos sobre doses e frequência. Muitas pesquisas dependem de questionários, que podem envolver erros de memória ou subestimação.
Além disso, gestantes que usam paracetamol frequentemente têm condições médicas — como dor, febre ou infecções — que também podem afetar o desenvolvimento fetal. Esses fatores tornam difícil separar os efeitos do remédio dos efeitos da condição que motivou seu uso.
O que dizem órgãos de saúde
Agências importantes, como a Organização Mundial da Saúde, reguladoras europeias, associações de obstetrícia e ginecologia, reforçam que até o momento não há evidências confiáveis que mostrem que paracetamol cause autismo. As revisões da literatura apontam que é “improvável que a exposição intrauterina ao paracetamol conceda risco significativo de autismo”, embora se recomende cautela e uso responsável.
Uso consciente com orientação médica
Segundo o Portal Superinteressante, até que haja estudos mais definitivos, o ideal é que gestantes usem paracetamol apenas quando necessário e sempre sob orientação médica. Manter a saúde, reduzir febre e dor quando indicados são prioridades, mas sem alarmismos. A ciência ainda não confirmou que o medicamento cause autismo — mas também não dispensa o cuidado.
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