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TBT: esposa e irmãos do presidente da CPI da Covid já foram presos por desvio de recursos na saúde do AM

O senador, que atualmente se declara defensor da saúde do Amazonas, só não foi preso também em 2019 porque conseguiu se blindar com foro privilegiado.

Redação AM POST*

O senador Omar Aziz (PSD), que preside a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia e se declara defensor da saúde do Amazonas, teve familiares presos, em 2019, por acusação de desvio de verbas públicas da saúde do Estado em desdobramento da operação do Ministério Público Federal chamada “Maus Caminhos”. Organizações da sociedade civil avaliam que ter o senador Aziz na presidência da CPI é, no mínimo, amoral.

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A CPI da Covid tem o objetivo de investigar as ações e omissões do governo federal no enfrentamento à pandemia e, em especial, no agravamento da crise sanitária no Amazonas com o desabastecimento de oxigênio hospitalar, além de apurar possíveis irregularidades em repasses federais a estados e municípios.

Há cinco anos, o Ministério Público Federal (MPF) e a PF no Amazonas iniciaram a Operação Maus Caminhos, que se desdobrou nas operações Custo Político, Estado de Emergência, Cashback, Vertex e Eminência Parda, que se estenderam até os dias atuais.

Em 2016, quando Aziz já ocupava uma das vagas no Senado Federal e dois anos após renunciar ao governo do Amazonas, investigadores da Maus Caminhos descobriram desvios milionários na saúde estadual. O objeto principal da investigação é o desvio de cerca de R$ 260 milhões de verbas públicas da saúde por meio de contratos milionários firmado com o governo do estado do Amazonas.

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O presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas, médico Mário Viana, sem citar diretamente o nome do senador Omar Aziz, afirmou que a CPI da Pandemia está contaminada desde a origem.

“A gente já vê que as escolhas são sim parciais e não imparciais. Então, infelizmente, como médico e cidadão, não espero muito dessa CPI. Eles [os senadores] têm as responsabilidades; infelizmente isso é o retrato do país. A gente perde a oportunidade de ver uma investigação profunda que pudesse realmente apontar os desvios de recursos que, com certeza, foram cometidos em nome da pandemia e do claro sacrifício de vidas de vários brasileiros e de pais e mães de família que deixaram órfãos, desestruturando as famílias e a população brasileira”, disse Viana.

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Vertex
Em julho de 2019, durante a Operação Vertex, a Polícia Federal do Amazonas prendeu familiares do senador por suspeita de envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção passiva. Na ocasião, foram presos a esposa de Omar Aziz, Nejmi Aziz, e os três irmãos dele: Murad, Amim e Mansour. Na época, o parlamentar não foi levado pela Polícia. Conseguiu se blindar por causa do foro privilegiado. No entanto, as investigações apontam fortes suspeitas do parlamentar com envolvimento em corrupção.

A investigação foi desmembrada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em razão de indícios detectados de recebimentos de vantagens indevidas por um ex-governador como Omar Aziz, que, por exercer o cargo de senador, poderia ter direito a foro por privilegiado.

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Após duas noites na cadeia, uma liminar expedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) concedeu a liberdade a Nejmi antes do vencimento do prazo da detenção temporária de cinco dias. No fim daquele mês, entretanto, a Justiça suspendeu a liminar e a parlamentar teve que cumprir o restante da prisão temporária.

Lava Jato
Omar já foi citado também em delações premiadas da Operação ‘lava-jato’, por executivos da empresa Andrade Gutierrez, onde pediu propina de R$ 20 milhões à construtora. Segundo as investigações, Omar alegou que a empresa tinha grande volume de obras no Estado e que a verba seria usada para pagar despesas de campanha.

A Lava Jato chegou as informações de que Omar Aziz teria insistido de modo agressivo, aumentado o tom e afirmado que, se a propina não fosse paga, o governo estadual poderia “se vingar” da Andrade Guetierrez.

O Ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou abertura de inquérito para investigar o senador Omar Aziz (PSD-AM). Segundo as investigações, um empresário ligado a Aziz pedia pagamentos à Odebrecht quando ele era governador do Amazonas.