Tecnologia

Aplicativos para todos os gostos

Eles surgiram simultaneamente aos smartphones e, no início, ninguém vislumbrou todo o potencial que tinham.

Houve um dia em que se estendia o braço para chamar um táxi, se discava o telefone para pedir uma pizza, se rodava um disco para ouvir música, se ia a um banco para transferir dinheiro ou se olhava folhetos para escolher um hotel.
Se você tem mais de trinta anos, deve se lembrar desse passado não tão distante. Uma época em que fazer as coisas demorava mais – ainda que ninguém percebesse, tampouco reclamasse. Um tempo no qual termos como banda larga, wi-fi e conectividade eram jargões incompreensíveis da informática. Era uma era do jurássico tecnológico, na qual dinossauros das tarefas cotidianas vagavam pela Terra. Até serem extintos por um meteorito chamado aplicativos.
Eles surgiram simultaneamente aos smartphones e, no início, ninguém vislumbrou todo o potencial que tinham. Os primeiros Iphones, e depois os aparelhos com Android, já pareciam maravilhosos com sua tela sensível ao toque que permitia filmar, fotografar e ver um interlocutor durante uma chamada. Nesse ponto, todos ainda esticavam o braço na rua ou olhavam folhetinhos de hotel.

Não se sabe exatamente quando as aplicações dominaram o mundo. Foi um processo gradual, mas rápido. Talvez a primeira revolução tenha sido o Google Maps, no ano de 2005. Antes disso, quem precisasse saber um caminho ou quisesse encontrar uma rua, tinha que apelar para um prosaico mapa impresso. Nas grandes metrópoles, as bancas de jornal vendiam guias de ruas, um calhamaço de centenas de páginas com mapas da cidade que qualquer motorista precavido guardava carinhosamente no porta-luvas. De repente, com um celular, era possível encontrar qualquer endereço, não só na sua cidade, mas em todo o mundo. Era possível traçar rotas, calcular distâncias e, mais tarde, até mesmo ver uma imagem do destino ao nível da rua. Se tornou realidade encontrar qualquer lugar do globo terrestre digitando coordenadas geográficas, algo até então reservado apenas a quem pudesse pagar por um caríssimo aparelho de GPS – ou era proprietário de uma aeronave.

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O advento do Google Maps, seguido de sua API aberta, impulsionou inúmeros outros serviços por aplicativos – os de transporte, como o Uber; os de entregas, como iFood; os de vendas, como Mercado Livre. E o velho guia de ruas virou peso de porta ou combustível para a fogueira.

A partir dali, começou uma corrida do ouro para os programas. As empresas existentes perceberam a oportunidade (ou a ameaça) e investiram pesado em ferramentas próprias; empreendedores antenados começaram a criar unicórnios e logo havia uma manada deles cavalgando nas lojas de apps. Com o tempo, porém, houve um refluxo, já que os usuários perceberam que tudo tem limites, inclusive o espaço de armazenamento de seu celular. Ficaram mais seletivos, baixando apenas aquilo que de fato tinha uma utilidade.

Mas o que é um aplicativo útil? Basicamente é aquele que oferece um serviço que você precisa, como o táxi, a pizza, a música, o banco ou o hotel. Não faz sentido consumir esses produtos no jeito antigo. Os aplicativos também servem para permitir acesso a serviços que, de outra forma, seria muito difícil, ou até impossível, conseguir. Se você gosta de cassinos, por exemplo, terá que viajar para o exterior se quiser jogar no vermelho, 21, de uma roleta. Ou pode simplesmente aproveitar as opções online para se divertir sem precisar entrar em um avião.

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Passado o frenesi, o desfio dos desenvolvedores agora é descobrir um novo problema para ser resolvido por uma nova aplicação. Alguns empreendedores já tentam resolver as adversidades criadas pelos próprios programas. Por exemplo, os aplicativos de hotéis se multiplicaram de tal forma que foi criado um outro software exclusivo para comparar as ofertas. Não é absurdo pensar em outros centralizadores surgindo para outros assuntos.

Uma coisa é certa: enquanto houver contratempos, novas aplicações surgirão. E sempre haverá complicações, ainda que hoje não tenhamos consciência delas. Afinal, há poucos anos, erguer o braço, ligar para a pizzaria, rodar um disco, ir ao banco e olhar um folheto não eram problemas. Hoje são.

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