Em seis meses, duas crianças morrem em bueiros por descaso da Prefeitura de Manaus
O bueiro é apenas uma mostra do descaso com que a Prefeitura trata a periferia.
Segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), existem mais de dois mil bueiros abertos na cidade. Moradores da periferia afirmam que essas bocas-de-lobo se transformam em um risco a mais quando chove, porque a estrutura fica encoberta pelas águas, tornando impossível a localização do mesmo. Essa tragédia anunciada já se repetiu duas vezes este ano em Manaus, com resultados terríveis: a morte de duas crianças.
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A primeira foi em 24 de abril passado, quando o menino André Pereira Crescenço, de seis anos, desapareceu em um bueiro localizado na esquina da Rua 9 com a Rua Penetração 4, no bairro Amazonino Mendes (Mutirão) e foi localizado no dia 26, em um dos igarapés que atravessa o Parque do Mindu.
Na tarde desta quarta-feira (26), três dias depois de desaparecer em um bueiro durante uma tempestade, o corpo do menino Gustavo Silva Araújo, de sete anos, foi encontrado nos fundos do Condomínio Vila Suíça, no bairro Tarumã (Zona Oeste). André desapareceu no bueiro que não tinha grades de proteção, quando brincava na enxurrada, na Rua Louro Chumbo, no bairro Monte das Oliveiras, no domingo passado (também num dia 24). Ele foi localizado mais de 10 quilômetros à frente do ponto em que desapareceu.
O bueiro é apenas uma mostra do descaso com que a Prefeitura trata a periferia. Podem ser citadas ainda as escolas municipais depredadas e sem manutenção, as calçadas invadidas ou inexistentes, as praças onde o mato cresce e o lixo se acumula, o esgoto que escorre pelas ruas em todos os bairros carentes e muito mais. Um retrato totalmente oposto ao que acontece em zonas residenciais privilegiadas de Manaus.



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