Hidrelétricas do rio Madeira prejudicam economia de cidades do Amazonas
Dermilson Chagas presidiu audiência pública que apontou os impactos ambientais.
Os impactos ambientais gerados pelas hidrelétricas do rio Madeira causam prejuízos econômicos aos municípios do Amazonas que ficam ao longo do rio onde vivem 199 mil pessoas. A constatação foi apontada na Audiência Pública “Impactos ambientais da instalação das Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau na calha do Madeira”, proposta pelo deputado estadual Dermilson Chagas (PDT-AM).
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Participaram da audiência representantes do Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam), Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, Superintendência Estadual de Navegação, Portos e Hidrovias (SNPH), Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), Federação das Empresas de Transportes de Cargas da Amazônia (FETRAMAZ), Ministério das Minas e Energia e vereadores das cidades da calha do Madeira.
O presidente da Câmara Municipal de Manicoré, Roberval Edgar, disse, durante a audiência, que grandes áreas de várzea, usadas para agricultura e pesca do ribeirinho, foram prejudicadas porque o regime natural de cheia e vazante foi alterado. “Isso impactou demais a nossa economia. Manicoré tem muito seringais e muitos estão alagados. Como todos sabem a produção em terra firme é menor que na várzea e como ela foi atingida. Tivemos perdas na nossa produção rural. Com a cheia de 2014, perdemos 100% da produção rural nas várzeas Os peixes estão mais raros. Esse cenário é o mesmo nas cidades vizinhas”, afirmou.
O deputado Dermilson Chagas, que preside a Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPPADR), afirmou que os dados apresentados durante a audiência pública farão parte de uma ação onde o Ministério Público Federal (MPF) será acionado porque medidas urgentes são necessárias na região.
“Quem conhece o rio Madeira sabe como ele está. Temos impactos na várzea que prejudica a produção de alimentos e na pesca já que a hidrelétricas interferem na migração dos peixes. Vamos reunir todas as informações prestadas aqui e os estudos científicos para subsidiar uma ação no MPF”, disse.
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Durante a audiência o pesquisador doutor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Philip Fearnside, apresentou dados científicos sobre os impactos ambientais das usinas onde, há impactos reais na migração do pescado e distribuição de sedimentos, essenciais para cadeia alimentar dos peixes.
Prejuízo à navegação
Uma reunião técnica já foi feita no dia 19 de junho deste ano. Na ocasião, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) informou que as barragens de Santo Antônio e Jirau provocaram alteração na velocidade e curso do Madeira, o que aumentou o assoreamento do rio. Segundo o órgão, a dragagem (retirada de sedimentos do fundo do rio para aumentar profundidade e facilitar a navegabilidade) era necessária a cada cinco anos. O Dnit informou que, após a obra, a manutenção da dragagem precisa ser feita uma vez ao ano, o Governo Federal não tem recursos financeiros para realizar o serviço e assim pretende privatizar o rio.
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