Prostituição de venezuelanas cresce na região Norte
Dezenas de venezuelanas buscam seu sustento e o de suas famílias com a prostituição diária no Brasil
Próximas a barracas que durante o dia comercializam variados tipos de farinha e goma de tapioca, dezenas de venezuelanas buscam seu sustento e o de suas famílias com a prostituição diária num bairro de Boa Vista.
A imigração em massa de venezuelanos ao Brasil desde 2016 levou dezenas delas à prostituição no entorno da chamada Feira do Passarão, no bairro Caimbé, principal ponto da atividade na capital de Roraima, e acendeu a luz amarela na Polícia Federal, que apura a exploração da prática no Estado.
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Neste ano, duas pessoas já foram presas numa operação policial por exploração de uma venezuelana para fins sexuais, em Pacaraima, cidade fronteiriça com o país vizinho.
“A prostituição em si não é crime, estão procurando ganhar a vida. O que queremos saber é se há financiadores, aliciadores, por trás desse fenômeno. Está clara a situação [prostituição], mas temos de ver o que pode haver por trás”, explicou o delegado da PF Alan Robson Alexandrino Ramos.
Cerca de 150 prostitutas são vistas em bares e ruas próximas à feira que, com gestos com as mãos, tentam “garimpar” clientes a cada veículo que passa. O idioma predominante é o espanhol.
Duas garotas de programa disseram cobrar R$ 80 por programa –quase o salário médio mensal recebido no país vizinho, conforme relatos de estrangeiros que buscam refúgio no Brasil.
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O valor, no entanto, é negociável, dependendo da concorrência, do dia da semana e do horário. Há casos em que o preço chega a R$ 120. A qualquer hora elas estarão lá. Numa quarta, a reportagem contou 40 mulheres fazendo ponto às 11h.
O aumento da atividade no bairro desagradou moradores, que pedem providências, mas dizem saber ser difícil resolver a questão enquanto houver crise no país vizinho.
“Desvalorizou demais o bairro. Quando se fala em Caimbé, só se lembra agora das jovens que vêm aqui para se prostituir. Mas temos dó da situação”, afirma o aposentado Joelmir Valença.
A preocupação da PF existe pelo fato de brasileiras já terem sido encontradas em situação de cárcere na Guiana, cuja fronteira fica a 125 km de Boa Vista, e pela operação que flagrou um caso de exploração em Pacaraima.
“Duas pessoas foram presas por explorarem uma venezuelana para fins sexuais. Ela trabalhava na prostituição, usava um quarto e pagava comissão ao dono do local. Além disso, trabalhava para pagar o chamado cozidão, a alimentação”, disse o delegado. Os detidos, se condenados, podem ser punidos com até oito anos de prisão.
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