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Twitter diz que ordem de Alexandre de Moraes pode ser “censura prévia”

A decisão de Moraes foi assinada em 17 de dezembro.

Por Hugo Guimarães

19/07/2023 às 08:28 - Atualizado em 19/07/2023 às 09:13

O Twitter expressou preocupação em relação a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio do perfil de um empresário bolsonarista, alegando que tal medida poderia caracterizar “censura prévia”.

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O posicionamento da plataforma de mídia social foi apresentado em um documento enviado ao STF em dezembro, após Moraes ordenar o bloqueio das redes sociais do empresário João Salas, que estava sendo investigado por supostos atos antidemocráticos.

A decisão de Moraes foi assinada em 17 de dezembro, dias após a Polícia Federal apontar a ocorrência de cinco crimes relacionados a João Salas e ao militante bolsonarista Oswaldo Eustáquio, que está foragido desde então, após uma ordem de prisão emitida pelo Supremo.

De acordo com a PF, Salas e Eustáquio estavam envolvidos na coordenação de um grupo de manifestantes que participavam de uma série de protestos contra o presidente eleito [Lula] e as instituições democráticas. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou nesse sentido, afirmando que Salas e Eustáquio utilizavam as redes sociais para atacar as instituições democráticas.

Moraes proibiu os dois investigados de atuarem nas redes sociais. O Twitter, o Instagram e o YouTube foram notificados para bloquear os perfis em até duas horas, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. O Twitter e o YouTube deveriam bloquear a conta de João Salas, enquanto o Instagram deveria desativar as contas de Salas e Eustáquio. “Liberdade de expressão não é liberdade de agressão!”, afirmou Alexandre de Moraes, citando trecho de seu discurso de posse na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em agosto de 2022.

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Em um recurso enviado ao ministro Alexandre de Moraes, o Twitter informou que havia cumprido a ordem judicial, mas questionou a decisão. A empresa argumentou que o bloqueio completo da conta de João Salas poderia ser caracterizado como “censura prévia”. O Twitter alegou que publicações legais seriam excluídas e que o usuário ficaria impossibilitado de publicar qualquer conteúdo.

“Acreditamos que tal medida poderia violar dispositivos constitucionais e a legislação infraconstitucional relacionada ao tema, considerando a possibilidade de censura de conteúdo lícito existente nos milhares de tweets publicados pelo usuário, bem como a censura prévia de conteúdo futuro ilícito […], o que não pode ser admitido”, afirmou o Twitter, ressaltando que o receio de repetição de ofensas “nunca autorizou ou permitiu a censura prévia por parte do poder público”. A plataforma também questionou a multa diária de R$ 100 mil estipulada em caso de descumprimento, considerando-a “exorbitante”, além de criticar o prazo de dois dias para o cumprimento da ordem e a falta de envio da decisão que fundamentou o bloqueio, bem como a ausência de um prazo definido para a suspensão da conta do bolsonarista.

O embate entre o Twitter e a decisão de bloqueio de perfil bolsonarista levanta discussões sobre os limites da liberdade de expressão e a aplicação da censura prévia. A controvérsia em torno do caso deve continuar, e a posição final sobre o assunto pode ter impactos significativos no cenário da liberdade de expressão nas redes sociais e na interpretação das leis relacionadas à proteção dos direitos individuais e coletivos.

Redação AM POST com informação Métropoles

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